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segunda-feira, 15 de março de 2010

"guleja"


O meu filho não é nada invejoso. Empresta os brinquedos todos. Não só não leva a mal que os amiguinhos lhos vão buscar ao cesto como os dá ele próprio de livre vontade. Orgulho-me disso. Acho que a partilha é porreira, pá!

Já no que toca a bolacha maria...
Espalha quatro ou cinco minis na mesa, manda uma trinca sôfrega em cada uma e fica a olhar para nós como quem grita Agora só lhe tocas se não tiveres muito nojo de mim, qual guloso que lambe o gelado para ninguém querer provar.


[Sim, há minis que não são cerveja!]

domingo, 14 de março de 2010


A aliteração é uma figura de estilo que consiste na repetição de um ou mais sons consonânticos. Por exemplo «Fogem fluindo à fina-flor dos fenos» (Eugénio de Andrade)


Já percebi, professora! E acho que sei dar outro exemplo: fazer fezes!


À sexta-feira aprendo sempre qualquer coisita...

sábado, 13 de março de 2010


Venho agora da casa de banho. Venho a correr antes que me esqueça do que pensei. O João estava a brincar em silêncio. Por demasiado tempo, em silêncio. Sinal de asneira.
Tinha dois rolos de papel higiénico desfeitos em mil bocadinhos dentro da sanita. Estava cheia até cá cima. O pirata olhou para mim com olhos-de-quem-já fez-cagada. Ripostei com olhar de fúria -quem vai limpar isso? Rematou com olhos de amor e eu desfiz-me em ternura e gargalhadas.
Estou a escrever isto aqui como espécie de lembrete. Tenho a certeza que me vai dar música toda a vida. É melhor vir aqui ler isto de vez em quando...

Agora vou tirar aquele papel todo da sanita...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Hoje dei por mim a pensar Se um dia destes me perguntares se me lembro dos motivos pelos quais comecei a gostar de ti, apanhas-me desprevenida. Acho que já não me lembro. Mas todos os dias encontro motivos novos para continuar a gostar...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para quem lida com crianças


não serão de todo estranhos os relatos que se seguem.
Conhecem aqueles meninos fofinhos, anjinhos, que, em casa, não matam uma mosca? Tenho muitos. São tão fofinhos!...
Desde que me lembro de mim quis ser professora. Professora daquelas que ensinam, que acompanham os alunos durante vários anos, choram quando acaba esse ciclo, libertam-nos para o mundo selvático, recomeçam tudo com outros alunos. Mas professora daquelas que ensinam! Das que ensinam, tipo pedagoga, mentora. Das que ensinam...
Tive azar. Pertenço a uma época em que ser professora nada tem de ensinar. O ponto fulcral da nossa função é, agora, mantê-los sentados, atentos e virados para a frente o máximo de tempo possível. Quem o consegue, é um óptimo professor. Um domador de leões desembaraçar-se-ia com mais... profissionalismo. É que as aulas de hoje são uma espécie de Super Bowl. Quem me disser o contrário, mente. Ponto final.
Contudo, e porque os miúdos vão gostando de mim, momentos há em que chego até a aprender alguma coisita com eles. Vá lá, alguém aprende algo ali!
A tipologia é vária. Este ano, calharam-me em sorte três tipos:

Discente #1, o coin man

Fulaninho(assoando-se)- Stôra, posso ir pôr o lenço no caixote do lixo?
Eu- Podes. Estás constipado?
Fulaninho- É do inverno. Traz muita ranhura!

(Empresta aí uma moeda...)

Discente #2, o cientista da língua

Cicraninho- Stôra, dite devagar. Dói-me aqui uma perna. Não posso escrever depressa. (?!)
Eu- Magoaste-te?
Cicraninho- É no músculo. Foi na aula de Educação Física, durante o corrimento à volta do campo.

(Argh! Escuso-me a comentários...)


Discente #3, o polido

Beltraninho- (dorme em cima do livro)
Eu- Beltraninho, lê o texto da página xyz.
Beltraninho- Oh! F*d*-s*!


(De notar que, em todas as situações, eu podia ter estado calada!)

Repito: são tão fofinhos!...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Post II - Verde


Sou verde.

Não! Sou do Porto! Ensinaram-mo a minha avó e a minha mãe.
Não! Gosto de um bom bife! Pode ser rodeado de legumes sensaborões. Esses vão lá ficar de certeza.
Não! Não sou ecologista. Defendo quem defende a natureza e a sustentabilidade. Mas faço-o do gabinete.
Não! Nada disso. Sou apolítica.

Sou verde de ciúmes.
No seguimento do post anterior, lembrei-me que sou ruidíssima de ciúmes das minhas almas-gémeas. Mas de todas. Os meus ciúmes não se esgotam na cara-metade. Estendem-se à família, às amigas, aos conhecidos, aos menos conhecidos. Se gosto de alguém, quero essa pessoa só para mim. Quero que me queira só para si.
Com o tempo, esta ciumeira doentia tem vindo a esmorecer. E orgulho-me de dizer que já vou aceitando que se diga que alguém, que não eu, é giro, interessante e atraente. Já não fico verde. Escuro. Fico verde...clarinho. Alface vá, que é fashion.


Post I - alma gémea


Acredito em almas gémeas. Não, nunca achei que haveria algures no mundo um testo para a minha panela. Afinal até havia, mas essa história fica para outro post.
Acredito em almas gémeas. Existem em tudo o que toca ao amor. Amo, com uma imensidão que me ultrapassa, aflige e consome, as minhas almas gémeas. E faz-me confusão que algumas pessoas digam que não se entendem com a mãe, não se compatibilizam com a irmã, vêem nos sogros os pais que nunca tiveram...
O Amor que tenho às minhas almas gémeas, que sinto serem a minha alma puzzlificada, é de tal fervor que, por vezes, sinto que me destrói por dentro. E isso vê-se por fora (ou será de já ter passado dos 30?)!
Amo aquelas que vejo todos os dias, as que vejo só de vez em quando, as que vi, até as que nunca vi mas me contaram como eram, as que verei mais tarde, as que voltarei a ver no fim. Mas amo-as de tal modo que não consigo ver o que escrevo neste momento. Não consigo pensar nelas sem que se me encham os olhos de lágrimas e se me ate um nó no estômago (será no estômago? Às vezes, confundo o estômago com o espírito. Onde quer que seja, é na barriga que o sinto). Não deixo de me preocupar com elas mesmo quando sei que estão bem. Gostava que estivessem sempre bem. O meu maior pavor, desde pequenina, é desiludir os meus pais. Nada me deixa mais desconfortável. Tenho um orgulho tremendo dos meus antecessores, um orgulho que me enche e ensina a ser todos os dias melhor, todos os dias mais parecida com eles. Todos. Nunca lhes chegarei aos calcanhares. Mas, enquanto vou tentando, vou pensando que gostaria que, um dia, alguém a quem antecedi também queira ser como eu fui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

É muito amor... ao clube!


Até ser adulta, passei muitas vezes pela cozinha... para chegar à sala. Nunca soube cozinhar, pôr a mesa em condições, temperar uma salada para ficar comestível, descascar uma maçã sem ser aos ziguezagues. De modos que, quando conheci a minha cara-metade e já a viver sozinha, longe das asas protectoras dos papás, resolvi, num belo dia, pôr as mãos na massa.

A história que vou contar tem como personagens uma rapariga e um rapaz. Vamos chamar-lhes... Maria e Manel. A Maria, que não sabia cozinhar, trabalhava e vivia numa aldeia encravada numa serra, paisagem lindíssima, pouca rede no telemóvel. A net, de difícil acesso, ajudou-a, contudo, com uma receita fantástica de esparguete à bolonhesa. Sei que é básico, mas não o parece para quem nem sabia como arranjar o molho. Umas horitas na cozinha e a refeição ficou um mimo! Toca a arranjar um tabuleiro lindo, decorar os pratos com motivos românticos. Na barriga, um friozinho pela primeira comida confeccionada sem ajudas (exceptuando a internet), na alma, um enorme orgulho pelo mesmo motivo. Arranca para a sala, onde o Manel assistia a um jogo do seu clube do coração. Andar de top model (aquele que todas as mulheres usam quando se sentem confiantes), tabuleiro nas mãos, pesado, brilho nos olhos, sorriso nos lábios, um cheirinho maravilhoso a comida boa que esvoaça até alcançar as narinas, estômago a roncar de fome. A porta da sala aproxima-se e os nervos aumentam. Avista Manel. Vidrado na tv. Pousa-lhe tabuleiro no colo. Ternura. Pega num dos pratos e começa a comer. Estava mesmo bom. Manel nem num talher pega. Maria chama, discretamente, a sua atenção para o pitéu que tem no colo. Uma garfada. Nada. Continua vidrado. Outra garfada. Ainda nada. Após MUITAS garfadas e ainda mais silêncio, Maria levanta-se, coloca-se entre Manel e televisão e pergunta

- Como está?

- 2-1. Mas agora sai da frente que estou a ver o jogo!


O amor é lindo! E eu passei a ir ao take away!

Eu sempre fui mais livros. Mas lembro-me bem, como se tivesse sido ontem, de brincar com o pião, o papagaio, a fisga (qualquer semelhança com brincadeiras de rapazes é puríssima coincidência!), enquanto marchava uma daquelas sombrinhas de chocolate da Regina ou um saquinho de Peta Zetas...
Já não serão muito do meu tempo as bonecas de trapos e as bolas feitas de meias, mas recordo-me de ver, nas festas populares, os tradicionais brinquedos de madeira.
Ora, há pouco tempo, os meus pais ofereceram ao neto um desses brinquedos antigos que não sei nomear, mas descrevo: um pau tipo bengala com uma roda na ponta cheia de bolinhas com guizos. Hoje, o miúdo (autor da minha felicidade e do meu desespero pelo 516º dia sem dormir) andou o dia todo com o dito, qual detector de metais, à procura de ouro pela casa fora. É que não se cansava! E ia aos sítios mais recônditos, entre armários e paredes, debaixo do sofá... E eu só pensava Bom, bom era aquilo aspirar!...

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


A sépia é um riscador castanho escuro, cujos pigmentos são extraídos de um molusco e misturados com um mineral do tipo do giz.
Depois desta definição, urge um esclarecimento: não percebo patavina de pintura. Mas gostava de perceber. Sempre a apreciava com olhos de quem sabe. Mas gosto de fotografias em sépia e a sua definição dá-me jeito para dar um nome ao meu blog. É que a sépia, fazendo lembrar tempos idos, lembra também aquela altura em que era estúpida e desejava ter vivido em tempos shakespearianos. As roupas eram giras, as pessoas eram românticas, criava-se grande literatura. E tudo isto, claro, em tons de sépia. Depois descobri a frequência com que (não) tomavam banho, desisti de me montar no meu DeLorean e fiquei no meu tempo.
Para além disto, a sépia é um riscador (e eu farto-me de riscar, todo o santo dia) castanho escuro, da mesma cor com que os meus olhos observam o mundo. Tem a dita pigmentos vindos do molusco (do latim molluscus, que significa mole, tal e qual a minha barriga há já 17 longos e orgulhosos meses). Ainda por cima misturados com algo da família do giz, que uso na minha actividade - cada vez menos felizmente para as minhas alergias. Mas também, acabaram-se essas e começaram outras...
De modos que a sépia tem tudo a ver comigo!

Verde pinheiro porque foi a cor do olhar que conquistou o meu coração.