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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sente-se que é Verão


e o calor faz-lhe inchar as pernas!

Há quem fique opado com o calor e há quem fique estúpido!

Já não é a primeira vez que encontro num blog o desabafo de quem se sente incomodadíssimo pelo facto de encontrar carrinhos de bebé no areal quando vai à praia.
E de facto é compreensível que a ideia estapafúrdia de se chegar à praia e carregar 15 kgs de gente e um carrinho de bebé incomode.
Faz muito pouco sentido que alguém que viva a 10/15 minutos da praia se enfie no seu bólide, percorra todo um caminho até lhe cheirar a algas e depois volte para casa por não arranjar onde estacionar o veículo. Porquê? Porque os lugares estão todos ocupados pelos carros daqueles que se sentem incomodados pelos carrinhos de bebé na praia.
Quando esta gente que se queixa de tal parolice na sua zona exclusiva do areal tiver um dia uma criança vai precisar de uma grande amplitude anal. É que convém terem onde guardar os carrinhos para não fazerem cenas tristes!




terça-feira, 20 de julho de 2010


Sempre que leio um livro ou vejo um filme, começo pelo fim. Lembro-me desta mania desde que me lembro de mim: primeiro, a última folha, ou a última cena. É muito mais aliciante ter um DVD na mão e ir ao que interessa do que estar numa sala de cinema a espirrar por causa do ar condicionado sem saber qual é o fim do filme até chegar ao fim do filme. É muito mais aliciante ler a última página de uma história do que estar num suspense aborrecido do início ao fim do livro.
Na verdade, o que me interessa não é o fim , mas o que aconteceu para se chegar a esse fim. Fins qualquer um arranja. Mas a viagem até lá...

Sentiu as pontas do dedos endurecidas pelo tempo percorrer-lhe os sulcos da face. Também o seu rosto havia sido fustigado pelos anos.
- A sensibilidade na ponta dos dedos vai desaparecendo com a idade, meu amor...
- Não te sinto as rugas com os dedos, querida. Sinto-tas com a alma.
- Que poeta me saíste!
- E adivinho! Não te disse que ainda me vinhas parar aos braços?
Nos braços também se perde a força. Mas o abraço sentiram-no os dois com a alma.


Vejamos o que sai daqui.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

No meu tempo...





Nunca prestei atenção aos desenhos animados.

Mas agora não se vê outra coisa cá em casa.

Os de hoje são muito violentos. Desde os pontapés do Dragon Ball à atitudezinha das Bratz. São um incentivo à destruição da harmonia social. É por causa deles que os miúdos não sabem estar.


A malta da minha geração é que sim. Aprendemos tanto com o que víamos e ouvíamos na TV.


Por exemplo, o gato:

"Atirei o pau ao gato to to / Mas o gato to to / Não morreu eu eu"



Pois... se calhar não foi o melhor exemplo. Incita ao felinocídio.


Hããã... vamos tentar outra:



"Que linda falua, / que lá vem, lá vem, / é uma falua, / que vem de Belém.


Eu peço ao Senhor Barqueiro / que me deixe passar, / tenho filhos pequeninos / não os posso sustentar.

Passará, não passará, / algum deles ficará, / se não for a mãe à frente, / é o filho lá de trás."



Porra!... Nem comento!



Alecrim, alecrim aos molhos,

Por causa de ti
Choram os meus olhos.


É! Eu também tenho este problema, mas é mais com aquelas flores amarelas do Gerês.

Vamos recuar um poucochito.


Cantava a Heidi nos anos setenta:


"Avôzinho diz-me tu,

Quais são os sons que oiço eu.
Avôzinho diz-me tu,
Porque eu na nuvem vou.

Diz-me porque já são horas,
e diz-me porque eu sou tão feliz."



Ó, Heidi, em 1974, tu deves ser feliz porque ainda restava no ar algum vestigiozito do Woodstock, não? E essa história de na nuvem ires... humm...


Experimentemos o teu primo:


"É um no porto italiano / mesmo ao pé das montanhas / que vive o nosso amigo Marco


(...)


Vais-te embora mamã!?
Não me deixes aqui.
Adeus mamã.
Pensaremos em ti."


Provavelmente, Marco, a mamã foi ali queimar o soutien e vem já.



Assim de repente, não sei porquê, acho que prefiro o Dragon Ball e as Bratz!




terça-feira, 29 de junho de 2010

Jabulani


au revoir
αντίο 
arrivederci 
goodbye
adeus

Agora vou só ali ver como se escreve temos pena nestas línguas todas e volto já... 

Ah! Outra coisa: que alívio no fim do último jogo de Portugal. Silêncio total na rtp1 hd! Não tenho nada contra o seleccionador espanhol, mas pelo menos estivemos uns minutos sem barulho. A malta daquele país saberá que tem um grave problema de varejeiras?

terça-feira, 15 de junho de 2010

Acabaram-se os vidros limpos


Pensar que dantes tinha a mania dos vidros limpos, divisões arrumadas, tralha onde ela deve estar (bem escondida para ninguém deitar fora, porque vai daí um dia pode ser precisa e está ali à mão)...
O que mais aprecio nos dias que correm, em minha casa, são as marcas, dedadas e lambidelas que teimam em não sair dos vidros. E as miniaturas de toalhas que ocupam agora os espaços. Colheres e garfos pequeninos. Brinquedos. Brinquedos. Roupinha. Brinquedos. Tudo espalhado. Por todo o lado. As olheiras e, mais abaixo, um sorriso que não se apaga.

Irritam-me as pessoas que se queixam que os filhos não as deixam dormir, que passam a noite a acordar e que já não aguentam mais. Nunca as ouvi queixar-se das noitadas e das queimas e das tainadas.


Hummm

Eh pá, tenho que parar de me queixar...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

alergias


Sempre tive muitas alergias. Perde-se a conta das horas que passei no hospital, regra geral ao fim-de-semana ou à noite, só para estragar os planos dos recém-papás, por causa da asma, da bronquite, da rinite, ...
Mas se havia coisa que, quando era miúda, me provocava um gigantesco ataque de comichão era falarem de mim a alguém como "a minha namorada".
A asma brônquica ou bronquite asmática ou lá o que era abrandou com a idade. A outra alergia exacerbou-se. Fico logo com tossiqueira quando alguém diz "o meu marido". Então e "a minha esposa"? Arrrgghhhh! E que tal passarem a dizer, a partir de agora, "a minha esposa, a agrilhoada"? Já estou com vermelhidão só de pensar nisso!
Eu digo sempre o Pedro isto, o Pedro aquilo. E toda a gente percebe! Claro que, às vezes...


- Olha, nisso divisão das tarefas domésticas, o Pedro é impecável.
- Pedro? Quem é o Pedro?
- É um criado de barba rija que lá tenho, com a maçã de Adão saliente, músculos bem definidos, unhas cortadas e limadas, pêlos todos rapadinhos, que faz a limpeza da casa só com um avental de tamanho xxs!


(A asma passou, mas de vez em quando volta. Não posso limpar o pó nem aspirar, os vapores da cozinha não me fazem bem, nem o cheiro dos produtos de limpeza! Não vá Pedro querer receber o salário no fim do mês sem fazer nenhum!)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Escutas?


- Acordei o miúdo?
- bzbz
- Já cagou?
- bzbzbzbzbzbzbzbzb
- E é duro ou mole?
- bzbzbzbzbzbzbzbzb
- Se calhar foi do caldo verde.
- bzbzbzbzbz
- Vai lá, vai lá, que já o ouço chorar.

Estas ninguém as destrói!

Figueira, Figueira da Foz


A praia da Figueira sabia tão bem à terça-feira...

terça-feira, 18 de maio de 2010

A minha mãe transforma um diamante num reles calhau


As pessoas que dão tudo de si tendem a ser mais exigentes e selectivas.

Vamos baptizar o JA e andamos à procura de um local para a comezaina. Fomos ao sítio mais trendy aqui da metrópole, várias vezes, na esperança de me desapaixonar pelo lugarejo (que é caro cumó piii). A grande asneira foi termos lá ido comer. Ai e tal, são capazes de servir mal, pedir-nos os olhos da cara e assim desistimos logo. Pois.

Mãe, tens que ir ver aquilo. É mesmo como sonhei. Devíamos ter feito lá o casório. É espectacular. Romântico. Moderno. Acolhedor.

Vamos lá então.

A senhora que nos recebeu, toda cheia de nove horas, a barbela atravancada entre o queixo e o pescoço a indicar que se trata de gente de relevo, inicia a visita guiada. E a minha mãe sempre, SEMPRE, com ar de desdém. Aqui fazemos a recepção aos convidados. Aqui? Sim, aqui (estupefacção). Se quiserem e estiver bom tempo pode ser lá fora! Mas normalmente é aqui. Neste espaço servimos os pratos. Neste? Sim, costuma ser aqui (engole em seco). Podem sempre circular pelos vários espaços, mas... Então e o salão? Onde fica o salão? O salão (careta de aflição) é... é aqui. É... Aqui? É isto?Aaaah! (entre dentes) Vamos embora que isto parece uma marquise!

Aspecto positivo: lá foi a barbela!

A minha mãe dá tudo de si. É muito exigente com quem a rodeia e consegue, no entanto, ser a pessoa mais tolerante que conheço. Além disso, desenganem-se, porque a minha É a melhor mãe do mundo!