sábado, 2 de novembro de 2013
domingo, 13 de outubro de 2013
Há dois tipos de mulher. Encontrarem-se os dois no mesmo espaço é coisa para dar asneirada.
No shopping, aproveitei uma das correrias dos miúdos para apanhar um balão e pisguei-me para uma sapataria, só para espreitar as modas. Partilhavam o mesmo sofá uma miúda com a mãe a experimentar sapatos rasos (esta pertence ao primeiro tipo, o das cabras) e duas amigas que babavam para cima de uns sapatos com tacão de 15cm (estas pertencem ao segundo tipo, o das que não gostam de cabras). A conversa entre as duas distraiu-me da prateleira das botas:
- O que eu gostava mesmo era de ser uma mosca para ver o que o meu marido anda todo o dia a fazer!
- Credo! Nem pensar! Já me chega ter que olhar para ele quando estamos em casa!
Enquanto eu pensava ora aqui está uma boa teoria!, a miúda grita para a mãe naquele tom alto mas que não deixa de ser finoqueseilá:
- Mámi, (não, não era o inglês mummy, era mesmo assim mesmo - mámi), por que é que a mámi não compra uns sapatos como os destas senhoras que são tão altos e tão giros?
- Oh, minha querida, porque esses sapatos (e aponta para os pés da outra) são para quem não faz nada na vida! A mámi não pode usar aquilo!
Quando a dos sapatos para quem não faz nada na vida se levantou com as mãos na anca, eu saí. Parece que pertenço a um terceiro grupo que desconhecia: o das que não têm tempo para ver porrada, porque os filhos demoram muito pouco tempo a escolher a cor do balões à porta da chicco.
domingo, 6 de outubro de 2013
Isto hoje é que vai aqui um saudosismo! Chegou finalmente o armário que me vai libertar destas caixas espalhadas por todo o lado desde que chegaram as camas novas dos miúdos. A garagem estava insuportável, mas foi-me servindo de desculpa para as bocas foleiras que ouvi todos os dias sempre que me pus em frente ao espelho sobre a minha pausa na prática de exercício físico desde que o Pedro nasceu, ou o João, ou um bocado antes.... Sempre que precisei de entrar no carro fazia uma ginástica do caraças e dizia a mim mesma que não valia a pena gastar dinheiro em ginásios. Pelo menos ainda tenho alguma flexibilidade! Enfim, mas onde ia eu? Ah! Fiz três montes: o "lixo", o "nunca se sabe se vai dar jeito outra vez" e o "uso todos os dias". Escusado será dizer que o primeiro está praticamente vazio, no último há já uma série de coisas importantes e aquele ali do meio está, digamos, lotado. Pressinto que vai haver problemas cá em casa porque alguém vai ter que me chamar à razão.
Está a custar-me mandar as coisas dos miúdos para a garagem quanto mais deitar fora seja o que for! É um misto de orgulho possante por já estarem tão crescidos e uma saudade melosa de os ver do tamanho do meu colo. Longe vão os tempos em que o meu dia andava à volta do PureLan, do Cicalfat ou do Cicamel.
Agora tenho aqui dois matulões que me enchem a casa e as medidas. O que vale é que o colo de mãe vai crescendo com eles.
sábado, 14 de setembro de 2013
Este verão fui a feliz compradora de uma série de produtos que me deixaram bastante satisfeita. Isto, claro, é sinónimo de me ter fartado de gastar dinheiro, mas, lá está, se corresponderam às expectativas e cumprem os objetivos, é porque não são caros, têm o preço certo. Acresce ainda que eu estou a por-me fina e consegui quase tudo em dupla promoção. Comprei, por exemplo, uma depiladora Philips espetacular, topo de gama (se aquilo fosse um carro, trazia estofos em couro, ar condicionado, sensores e câmera de estacionamento traseiro, ao passo que a minha antiga máquina seria assim daquelas com abertura manual de vidros) que acumulou desconto da marca e da loja onde foi comprada. É maravilhosa. Só estranhei que, nas instruções de utilização e em vários locais da caixa, em letras maiúsculas, constasse o aviso "não utilize este aparelho para qualquer outro uso que não aquele para que foi criado". Mas afinal, quantas Samanthas Jones haverá por esse mundo fora?
E por falar em expressões populares...
Tenho uma certa taradice por carteiras e malas, confesso. Vou escondendo umas atrás das outras no armário, na esperança de me esquecer delas e fingir que preciso de uma azul-não-sei-quê ou de uma verde-qualquer-coisa. Há já muito tempo que não perco a cabeça, mas hoje passei numa daquelas ruas sem trânsito e avistei, numa montra, promoções das que me fazem sentir menos culpada se calhar de encontrar alguma que me faça levá-la para casa desnecessariamente. Não tenho nenhuma da marca que vendiam, por isso entrei e perguntei o preço final. Era gira, mas continuava cara e, como levava o Pedro ao colo, pensei que aquele valor dava para comprar muita coisa para ele e para o irmão. Ainda assim, pedi à menina que a trouxesse até à porta para lhe ver a cor à luz do dia. Foi nesse momento que começou a chover. Pesou-me a consciência. Disse-lhe Bem, vamos tirar o cavalinho da chuva. Rimo-nos e fui à minha vida.
Acho que se chama a isto ter golpe de vista
Ando derreada. Onde me sento, aterro. Contudo, o meu bebé lindo não gosta de me ver a dormir (principalmente de noite) e assim que me apanha de olhos cerrados não se ensaia e abre-me as pálpebras quais latas de atum, mandando-me umas naifadas com aquelas unhinhas fofinhas travessas nos olhos enquanto balbucia mamã numa língua qualquer que se assemelha ao esperanto. Ai, ando derreada.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
A cozinha da sinestesia
Não gosto de transições. Todos os anos sou forçada a lidar com elas, algumas bastante bruscas, mas não consigo habituar-me. O verão é tão curto e sabe a tão pouco que nem chego a acostumar, mas custa-me ver a sombra do prédio da frente a invadir-me a cozinha cada vez mais cedo e a brisa a arrefecer aos poucos.
Nesta fase do ano em que ainda estamos com um pé nas férias e outro no trabalho, embora a cabeça tenha ficado presa às primeiras, vejo-me tentada a forçar um ritmo de pausa a um dia-a-dia que já quase não as contempla. Hoje fomos à nossa horta e, aqui, nesta cozinha, é tal a miscelânea de cheiros que nem sei para onde me virar. Duas enormes taças transbordam de maracujás, as ameixas rainha cláudia (que eu insisto em continuar a chamar ameixas dona amélia ???!!!!!???) estão ali em sacos à espera - gostava de fazer uma compota este ano, mas não me parece que até logo à noite sobre uma sequer - e as peras, espalhadas pela banca, vão já parar ao forno num daqueles bolos de massa húmida a que não posso resistir. Vou voltar à minha infância e fazer um sumo de tomate à maneira (estes vão dar compota, não há como evitar), depois de arrumar os vegetais que estão aqui pousados como me deu jeito quando cheguei.
Em cima da mesa, umas folhitas de hortelã já boiam no jarro com limonada e as minhas crias estão de ombros encostados a ouvir uma história. Eu estou embrulhada nos dois, a cheirar-lhes o cabelo e o cachaço e a pensar que as transições são mais fáceis assim: é só vestir um casaquinho e receber o outono.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Farinha do mesmo saco
Agrada-me a perspetiva culinária da Nigella Lawson: tal como ela, gosto de pratos picantes, aprecio a cozinha latina, assim como todas as outras, e também uso roupa com malha que estica quando sei que vou enfardar.
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