Em que dia da semana calha o aniversário do pai?
É uma quinta, mãezinha.
De certeza?
Sim. Decorei porque tenho um concerto nesse dia.
Ahahah! Tens o quê nesse dia?
Uma consulta. O que é que eu disse?
...
domingo, 27 de julho de 2014
Ter filhos é uma chatice (tenho que criar uma etiqueta...)
Prefiro os momentos de algazarra, em que correm um atrás do outro e fazem imenso barulho, gritam, pontapeiam a bola contra as paredes, saltam em cima do sofá. Mas também me delicio com aqueles em que estão ali, quietinhos, a deixar-se ganhar mutuamente para que o outro fique contente. Isto, sim, é glória.
sábado, 26 de julho de 2014
Mamã, chegas aqui à sala, por favor?
Sim, filho, precisas de alguma coisa?
Estou aqui a fazer um postal para a vovó e preciso que me ajudes. Mas ajudas-me e não dizes nada nem fazes caras estranhas nem ficas assim a olhar para mim com ar esquisito, está bem? Ensina-me a escrever vovó gosto muito de ti.
Sim, filho, precisas de alguma coisa?
Estou aqui a fazer um postal para a vovó e preciso que me ajudes. Mas ajudas-me e não dizes nada nem fazes caras estranhas nem ficas assim a olhar para mim com ar esquisito, está bem? Ensina-me a escrever vovó gosto muito de ti.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
Ser seguro de si próprio é...
O João nunca está errado. Nunca!
Mano, está muito sol, anda cá: vamos por os chapéis.
Chapéus, João, o plural é cha-péus!
Cha-péis! Não percebes nada disto. Não vês que estamos a falar em inglês?
A sério. Nunca!
Ter filhos é uma chatice (temos matéria para muitas postagens)
Eles zangam-se. Um com o outro. Connosco. Nós zangamo-nos. Com eles. Um com o outro. Enfim. Há por aqui alguns mamã agora sou eu no teu colo, já sei quem é que vai tirar o carro da garagem com o pai porque é sempre a mesma coisa, quando chegares a casa quero que me dês um beijo primeiro. Passam muitas vezes um pelo outro e nem se vêem, entretidos com as suas coisas. Ou então, o mano não me liga nenhuma e eu queria mesmo era brincar com ele.
Mas garanto que isto não é a regra. Acontece aqui e ali. Mas a regra é olhem, olhem os dois agora que o mano está a fazer-me festinhas na cabeça!
Como é que os meninos hão de gostar de sopa se se parece com cocó?
Passo a explicar: não se parecem.
A sopa preferida do João é, desde sempre, caldo verde. Quanto mais chouriço melhor.
Já o Pedro aprecia uma boa sopinha de beterraba. Não, aquilo lá em cima não é bloody mary.
Não há como confundir com cocó. A menos que já esteja seca. E nas meias do mano. :)
Passo a explicar: não se parecem.
A sopa preferida do João é, desde sempre, caldo verde. Quanto mais chouriço melhor.
Já o Pedro aprecia uma boa sopinha de beterraba. Não, aquilo lá em cima não é bloody mary.
Não há como confundir com cocó. A menos que já esteja seca. E nas meias do mano. :)
Então e sopa? Os teus filhos gostam de sopa?
Ontem, depois de jantar, os miúdos foram brincar para o quarto.
Mamããããã, disse o João com toda a calma, era melhor o Pedro sair de cima da minha cama, porque acho que tem cocó nas meias e vai sujar os lençóis.
Fui espreitar. Não é cocó, filho, é sopa. Deve ter-se sujado a comê-la há bocadinho.
Sopa? Sai já daí, mano. Que nooooojo!
Mamããããã, disse o João com toda a calma, era melhor o Pedro sair de cima da minha cama, porque acho que tem cocó nas meias e vai sujar os lençóis.
Fui espreitar. Não é cocó, filho, é sopa. Deve ter-se sujado a comê-la há bocadinho.
Sopa? Sai já daí, mano. Que nooooojo!
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Sou professora há catorze anos. Já ensinei língua portuguesa, português e literatura portuguesa, inglês, história e geografia, expressão dramática e teatral, a miúdos do secundário, do terceiro ciclo, do segundo, a adultos do recorrente, EFA e CEF, turmas de percurso curricular alternativo e adultos em formação, vigiei exames de todas as áreas, percorri o país e conheço amiúde as zonas norte e centro. Confesso que é a primeira vez, e já ouvi, li e vi muita coisa, que fiquei mesmo, mesmo, mesmo de boca aberta:
Ora então e a sinestesia. Alguém sabe explicar em que consiste?
É a mistura de sensações, não é, stora? Tipo, a parede branca e fria - tem a visão e o tacto.
Ah, mas então os invisuais não conseguem entender esta figura de estilo, como não vêem...
Estás parva ou quê?
Ah, pois é, entendem se lerem o texto naquela linguagem deles... o... o... hebraico!!
(Alunos de 12° ano de línguas e humanidades, cá beijinho. Agora ide estudar.)
Ora então e a sinestesia. Alguém sabe explicar em que consiste?
É a mistura de sensações, não é, stora? Tipo, a parede branca e fria - tem a visão e o tacto.
Ah, mas então os invisuais não conseguem entender esta figura de estilo, como não vêem...
Estás parva ou quê?
Ah, pois é, entendem se lerem o texto naquela linguagem deles... o... o... hebraico!!
(Alunos de 12° ano de línguas e humanidades, cá beijinho. Agora ide estudar.)
Ter filhos é uma chatice... (continuação)
Efetivamente, tudo muda quando nos aparece uma criaturinha lá por casa que em tudo depende de nós. Mesmo quando já nem em tudo deveria depender.
Levante o dedo a mãe que consegue ir à casa de banho e terminar o que ia fazer sem procurar atrapalhada o rolo de papel, provavelmente já espalhado pelo chão ou enrolado à volta da maçaneta, antes de ter que o fazer com um ou dois putos já ao colo.
Levante o dedo o pai que consegueterminar continuar começar a jantar sem sobressaltos, interrupções barulhentas e nervos à flor da pele.
Levante o dedo, ainda que timidamente e a acenar que não, que consigo não é assim, a mãe que nunca disse anda lá depressa que ele deve estar a acordar para mamar e vê lá se não me tocas nas mamas que não me apetece estar a lavá-las outra vez.
Levante o dedo o pai que papava dois ou três filmes por noite antes de se esparramar no sofá e ficar lá até às 5 da manhã e agora tenta vislumbrar uma ou outra série entre intervalos de Disney Channels Cartoon Netwoks.
Levante o dedo a mãe que ia tentar disfarçar as estrias e pneus para a varanda enquanto devorava Cosmopolitans e Vogues esticada ao sol e agora usa as revistas para marcar as balizas enquanto dá uns chutos na bola que lhe estragam o verniz vermelho acabado de atirar para as unhas dos pés.
Levante o dedo a mãe que consegue ir à casa de banho e terminar o que ia fazer sem procurar atrapalhada o rolo de papel, provavelmente já espalhado pelo chão ou enrolado à volta da maçaneta, antes de ter que o fazer com um ou dois putos já ao colo.
Levante o dedo o pai que consegue
Levante o dedo, ainda que timidamente e a acenar que não, que consigo não é assim, a mãe que nunca disse anda lá depressa que ele deve estar a acordar para mamar e vê lá se não me tocas nas mamas que não me apetece estar a lavá-las outra vez.
Levante o dedo o pai que papava dois ou três filmes por noite antes de se esparramar no sofá e ficar lá até às 5 da manhã e agora tenta vislumbrar uma ou outra série entre intervalos de Disney Channels Cartoon Netwoks.
Levante o dedo a mãe que ia tentar disfarçar as estrias e pneus para a varanda enquanto devorava Cosmopolitans e Vogues esticada ao sol e agora usa as revistas para marcar as balizas enquanto dá uns chutos na bola que lhe estragam o verniz vermelho acabado de atirar para as unhas dos pés.
Pronto, podem baixar.
É que depois eles correm assim, lado a lado, esperam um pelo outro para nenhum dos dois perder a corrida e... enfim... é uma chatice.
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