mais memórias para:
verdepinheiroemsepia@gmail.com

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Haja alguém com juízo nesta casa

O João entrou na sala quando estava a começar a ver o Robocop. Deu meia volta e tapou os olhos enquanto se desviava para a cozinha. De lá gritou:
Mamãããããã! Desliga! Vou entrar na sala e isso não é para a minha idade! Olha a bolinha vermelhaaaaaaa!

Afinidade materno-coiso

Falava há dias com uma amiga sobre ter mais do que um filho. A conversa acabou por bater no tema do costume: como a nossa vida mudou desde que nasceram crianças nas nossas casas. Conhecemo-nos de outros tempos - de quando chegávamos a casa e íamos dar uma corridinha juntas, a pensar já na alheira que íamos mandar abaixo ao jantar e de quando escolher o hidrantante depois do banho era o momento mais stressante do dia. Agora? Chegar à casa de banho e conseguir efetivamente tomar banho já é um martírio. E a conversa desenrolou-se. 
Outro filho? E as madrugadas passadas a ver canais de criança na TV?
Outro filho? E e as olheiras de manhã?
Outro filho? E os cabelos brancos?
Outro filho? E o já não querer saber se aquela roupa nos vai ficar bem ou mal?
Outro filho? E o querer lavar a loiça toda à mão só para estar ali um bocado sossegada?
Outro filho? E o ir às compras que se transforma num autêntico SPA?
Outro filho? E o sossego que é passar a ferro?
Outro filho?  E sair de casa com dois sapatos diferentes?
Entretanto eram horas de os ir pôr na cama e o resto da conversa ficou para outro dia.
Verdade verdadinha é que, quando me apanhei ali, no meio dos dois, a contar a história do oó, as madrugadas, as olheiras, as brancas, os disparates e a agitação só me deram vontade de rir. Ou era do cansaço.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ao jantar jogávamos às adivinhas. Agora de coisas da casa. Agora da natureza. Agora de animais. 

Pergunta o João:
Qual é coisa qual é ela que tem asas mas não voa?
O pinguim!

Pergunta a mãe:
Qual é coisa qual é ela que tem bigode e uma bola na ponta do nariz?
A foca!

Pergunta o pai:
Qual é coisa qual é ela que é grande, gorda e usa cor-de-rosa?
A mamã!


Referia-me à Elly do Pocoyo, mas também serve!


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Afinal os filhos devem ou não dormir na cama dos pais?

Mas ainda há dúvidas? Claro que não é fácil dar a volta aos miúdos, embora, como em tudo, seja só uma questão de estabelecer regras. Cá em casa já todos sabem que ninguém dorme na cama dos pais. Ninguém. E isto está bem assente.  Fomos passando essa ideia desde cedo e já não se questiona. Ninguém! 



Nem nós, já que somos nós que vamos para a cama deles.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Ah e tal como és professora de inglês deves estar sempre a massacrar os teus filhos, com certeza já falam inglês fluentemente, todos os dias deves insistir no treino da língua, deves ter gosto em mostrar-lhes como se escreve, como se fala, como se pensa em inglês... de tudo, já ouvi de tudo. 

Mas não. Nada. Nunca. Nem uma vez sequer. Não sou professora deles. Sou a mãe. Dou-lhes banho, dou-lhes de comer, dou-lhes colo, dou-lhes sermões, dou-lhes festinhas, dou-lhes histórias e cantigas para adormecerem, dou-lhes adoro-tes ao ouvido. Quando as professoras de inglês dos meus filhos vierem cá fazer-lhes tudo isto, começo eu a dar-lhes aulas aqui na sala. Até lá, estamos bem assim. 


E se lhes tratarem da roupa até lhes faço um Key for Homes.   

sábado, 17 de janeiro de 2015

Hoje vamos conversar sobre um assunto muito delicado: cuecas.

Não sei se vos acontece, mas espero que sim. Não gosto de me sentir só nestas coisas. Quando termino o banho e vou à gaveta das cuecas, sendo eu uma pessoa que não aprecia o frio e quer é despachar a coisa para vestir o quanto antes a camisola interior, o pijama, 4 robes polares e calçar as meias felpudas, espero encontrar tudo à mão. Sim, dava jeito ter tudo preparado antes mesmo de me enfiar na banheira. Vamos passar essa parte, porque NUNCA me lembro disso. Ora então chego à gaveta das cuecas e tudo o que é vestível está para lavar. Sim, também convinha lavar a minha roupa mais amiúde. Vamos passar esta parte também, porque dou SEMPRE prioridade à dos miúdos e o resto vai ficando para o fim, para depois, para quando já não há cuecas. Tudo o que resta na gaveta são as que usei quando estava grávida. E quando me vejo forçada a vesti-las (mais vezes do que gostaria), evito ser vista naqueles propósitos pelo homem, porque sei que vou ser gozada forte e feio. É que me ficam assim um bocadinho para o largas e só as calças mais justas é que mas mantêm no sítio.
MAS a partir de hoje a minha vida vai mudar. Já que ele acha tanta piada às minhas cuequinhas mais largas (não, não as deito fora. Já viram o que seria de mim se chegasse à gaveta e nem essas lá estivessem?), vou guardá-las na gaveta dele. Assim, quando for à minha e vir que já estão a acabar, despacho a lavagem a tempo e tenho sempre um plano B na gaveta de cima.


(Shhhh! Cá entre nós, ainda guardo os soutiens de amamentação. Nunca se sabe... os outros demoram tanto a secar!)










daqui

Vício ou sentido de missão?

João, larga a playstation! Já tens os olhos vermelhos!

Oh, mas estou mesmo a acabar esta missão! Qual deles está mais vermelho, mamã?

O direito.


...


João! Não me ouviste? Desliga isso! 

Não é preciso. O olho direito já está a descansar...                                 




 




Depois de quatro noites sem dormir em condições e de ter passado toda a manhã a tratar da casa e a preparar o almoço, é só a mim que responder à pergunta podes tirar daí o computador para limpar o pó à mesa? com um não faço mais nada hoje senão mudar o computador de sítio soa ofensivo?

Cheira-me que vamos voltar ao "diz-me lá outra vez qual é a gaveta dos bodies". E também me cheira a esturro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Anda meio mundo a tentar descobrir como não ter tanto apetite às refeições, especialmente ao jantar, porque vamos estar mais paraditas e tal e afinal a solução está mesmo debaixo do nosso nariz. Não, não é o buço. Vou contar aqui, mas só porque sou muito, muito altruísta. Ora apontem aí: ce re la c. Tenho comido uma pratada antes de jantar para cortar no apetite e, pelo menos comigo, tem funcionado lindamente.

Não mandem os vossos homens às compras. Enviam-lhes uma mensagem a lembrar para comprarem alguma fruta e eles trazem para casa a Carmen Miranda.