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domingo, 1 de março de 2015

E o teu filho mais novo? Parece-se contigo em quê?

Muita coisa. Mas assim mais mais é no ginete e na paixão por Loackers.

Aqui d'el rei!

Mãe, posso jogar no teu computador?
Se deixas, ah! tu deixas os teus filhos irem ao teu computador? isso é muito mau para os olhos, é um veneno para a socialização, ainda te estragam o computador!
Se não deixas, ah! tu não deixas os teus filhos irem ao teu computador? isso é muito mau para o desenvolvimento dos meninos, é um veneno para a autoestima, ainda estragas os teus filhos!  

Mãe, vamos brincar para o parque?
Se deixas, pois é! fazem tudo o que querem, as crianças têm que ser contrariadas, não sabes dizer não! estás a dar cabo dos teus filhos!
Se não deixas, pois é! não saem de casa! estão aí em enfiados e não convivem com outras crianças! estás a dar cabo dos teus filhos!

O menino acordou.
Se vais lá, não deixas o miúdo sozinho por um segundo sequer! ele tem que aprender a estar sozinho! estás a impingir medos aos teus filhos!
Se não vais, coitado do miúdo! tem que lidar a solidão sem o apoio da mãe! não os ajudas a enfrentar o medo!

Mãe ajudas-me com os trabalhos de casa?
Se ajudas, logo vi! não crias autonomia no teu filho! como é que ele vai conseguir aprender a estudar sozinho?
Se não ajudas, logo vi! assim o teu filho não vai aprender a fazer os trabalhos com autonomia! como é que ele vai conseguir aprender a estudar sozinho sem a tua ajuda?

Vamos sair, meninos. Vistam os casacos!
Se lhos vestes, bolas! nem os casacos vestem sozinhos! é assim que lhes ensinas a fazer coisas? que raio de mãe és tu?
Se não lhos vestes, bolas! nem os casacos vestes aos meninos! é assim que lhes ensinas a fazer coisas? que raio de mãe és tu?

Os meus filhos fazem asneiras.
Se ralhas, és mesmo cruel! as crianças são assim! queres que sejam uns totós obedientes? sabes o que andas a fazer aos teus filhos?
Se não ralhas, és mesmo negligente! as crianças não podem ser assim! queres que sejam uns deliquentes? sabes o que andas a fazer aos teus filhos?

Na rua.
Se agasalhas os rapazes, está tanto calor! vão transpirar, tira-lhes os casacos!
Se não agasalhas, está tanto vento! depois admira-te se se constiparem!

És mãe antes dos 30, aqui d'el rei que és nova demais, não vais saber criá-los; és mãe depois dos 30, já vais ser mais avó do que mãe. Nascem de parto normal, aqui d'el rei que vais dar cabo do corpo; nascem de cesariana, está mal, porque só és verdadeiramente mãe se os parires naturalmente sem epidural. 
Tens dificuldades em aguentar as dores da amamentação e faz-te impressão ir buscar pedacinhos de mamilo à boca do bebé que bolsa sangue das tuas mamas misturado com o leite, aqui d'el rei que não és mulher não és nada se não aguentas uma coisinha dessas, tivesses dado à luz naturalmente e já aguentavas o resto; dás de mamar até aos dois anos e meio, ena que exagero, o menino há de ir para a faculdade ainda agarrado às mamas da mãe.
Decides que dois anos é a idade certa para começar o infantário, aqui d'el rei que os meninos ainda são tão pequeninos, não vão para lá fazer nada, precisam é de estar em casa com os avós e de brincar muito; decides esperar até aos dois anos e meio, cruzes credo, chegam ao primeiro ciclo sem saberem usar um lápis, sem se saberem defender de um murro, sem apanharem varicela.
Não sais de casa há seis anos, aqui d'el rei que não tens vida própria, não podes fazer isso a ti próprias, não podes anular-te assim; vais jantar fora com amigos, deves ser boa pessoa deves, deixas os filhos em casa em vez de estar a cumprir as tuas obrigações.

Ou seja, estão a ver a espada? Estão a ver a parede? Estão a ver-me ali no meio? É isso.

O que vale é que, ao segundo filho, a partir do 5' de conversa já só ouves uma vozinha dentro da tua cabeça a contar até dez: 1 borboleta, 2 bolinhas de sabão, 3 massagens nos ombros, 4 taças de mousse de chocolate, 5 delas com chantilly, 6 mergulhos no mar, 7 férias de verão, 8 sandes de delícias do mar, 9 cheesecakes de frutos vermelhos, 10 crepes de banana. Ok, admito: aos 6, a vozinha interior já só diz pó caralhinho, pó caralhinho, pó caralhinho...


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sei que esta minha confissão me vai fazer perder metade das pessoas que me leem (vou passar a ter apenas um leitor). Mesmo assim aqui vai: não sou doida por francesinhas. Credo! És do Norte e não gostas de francesinha? Não é bem não gostar. A ideia da coisa até me agrada. Se pensar em francesinha, no conceito de francesinha, sinto vontade de comer uma. Parece até que sinto o cheiro do molho, mas quando lhe cravo o dente efetivamente fico sempre desiludida. Nunca é bem aquilo que esperava. E já ando a treinar há 36 anos! Já provei de tudo em todo o lado, até nos sítios que todos descrevem como o melhor para se comer uma francesinha. Não vou nomeá-los aqui, porque se não faço publicidade também não faço despublicidade, mas a verdade é que não sinto o mesmo com uma bela feijoada ou um um cozido à portuguesa. Sabem-me sempre bem. Nunca uma picanha me desiludiu. Nunca fiquei com fome depois de comer um bacalhauzinho com broa. Fico satisfeita com um leitãozinho assado. Agora francesinha... nãããã. Se calhar é melhor começar a dizer umas caralhadas senão corro o risco de deixar de se uma gaja do nuorte. Carago.
Depois de uma dura e longa pesquisa no mercado da cosmética, finalmente comprei um batom vermelho. Escolhi o Ruby Woo da MAC. Só o usei uma vez, mas posso garantir que tem uma cor espetacular que fica bem em qualquer lado. Fica bem nas paredes da sala. Fica bem no ecrã da televisão. Fica bem na carpete ao pé do sofá. Fica bem no chão do corredor e do hall. Fica bem nas mãos, na cara e no cabelo do meu filho mais novo. É Era giríssimo este batom. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Adultos à força

O papá tinha acabado de aspirar quando os miúdos me vieram pedir bolachas. Quando passei no corredor, já ele fervia por estar tudo cheio de migalhas. 
Deste-lhes bolachas agora?
Dei.
E não sabes que não deviam comer sem ser à mesa?
Sabia.
E não sabes que acabei de aspirar?
Sei.
Estás a responder assim só para me irritar?
Aha.

Olhamos os dois para o lado e vemos o João de vassoura na mão a limpar as migalhas todas do chão. 

Já não vos posso ouvir. Podem calar-se agora que isto já está limpo?

Metroquê?

Meninas, deixe-me de aventuras. Querem aquele gel de banho com um cheirinho espetacular a óleo de argão que vos transporta para as arábias? Não lhe peçam para o trazer quando for às compras. Vai andar meia hora no corredor da higiene à procura de um frasquinho de uma qualquer cena espanhola de Aragão.
E se forem juntos ao shopping, nunca, mas nunca lhe peçam para aguentar  um bocadinho os miúdos enquanto vão só ali à Mac buscar o topcoat que já acabou. Vão levar com a cara mas-os-topcoats-acabam? logo seguida de um enorme espanto por não entrarem na uterque mas na loja seguinte que só vende aquelas coisas para pintar a cara e assim.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Quando o cabelo começa a picar-lhes os olhos, sou eu que o esponto aos meus filhos. Quer dizer, o João já não alinha nestas coisas, mas o Pedro ainda faz tudo para me ver feliz (é mais para não ir ao cabeleireiro, mas vamos fingir que sim). Tenho para mim que acabo de descobrir a minha profissão alternativa, para quando me fartar do ensino.
À quantidade de vezes que já ouvi olha o santantoninho, ou malta a cantar ai chega, chega, chega, chega, chega ó minha agulha afasta, afasta, afasta afasta o meu dedal ou ainda o papá a chatear-me com o regresso dos doidos à solta, decididamente a minha próxima profissão é telefonista. É que não tenho mesmo jeito para cabelos, mas pareço ter vocação para ouvir.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

O cheesecake que fiz para a sobremesa do jantar estava uma (de)líchia!

Eu confesso: gostei muito da prenda. Mas passa-me logo a boa vontade.



Ao que parece eu também tenho defeitos. Não apago as fotografias da máquina e depois repetem-se e mais não sei quê. Para além disso sou muito desorganizada no computador. Enfim, defeitos de desorganização que complicam imenso a harmonia diária desta casa.
O meu pequenito tem uma predileção impressionante pelo youtube, mas como agora no inverno passa lá umas valentes horas, já se fartou de procurar coisas em português e vira-se mais para os estrangeiros. Ele é o pocoyo em italiano, a galinha pintadinha em espanhol, a porquinha pepa em português do Brasil. De maneiras que ando para aqui com umas melodias a martelar-me irritantantemente a cabeça.

La gallina usa falda y el gallo un reloj