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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Ó mãe, canta mais uma! Ó mãe, canta mais uma!
E eis que, de repente, sem saber mais onde ir buscar cantigas diferentes para os entreter, começo a cantar a do genérico das Fábulas da Floresta Verde que via em 1985 do início ao fim. Mas como é que me lembro da letra todinha sem uma única falha? E a seguir veio a do Dartacão. E a seguir a dos Flinstones. E por aí fora. E é então que aparecem as memórias de verão. A praia de maio a novembro. Tantas vezes a chuva a bater na toalha. As calipadas ao longo do dia. Os croissants e os lanches mistos a roer a fome de fim de tarde. O leite achocolatado em cima do muro. As fugas de bicla para a piscina. Para todo o lado. Os copos de iogurte atirados de um prédio para o outro e as conversas através do fio. As sestas na rede entre uma árvore e a outra. As perseguições detetivescas pela ruelas mais escondidas de walkie-talkie atrás da mão. 


Ainda sinto o nariz queimado do sol.



Só não me perguntem o que fiz ontem.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Gente informada é outra coisa

Ó João, que é que o teu pai gosta de ver na televisão?
O meu pai gosta muito do Pesca Radical e do Ouro Abaixo de Zero.
E a tua mãe?
A minha mão quase não vê televisão. Gosta é de ler. Agora anda a ler A Rapariga no Comboio.

Temos big brother em casa. Neste caso, big son.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O protagonista chegou agora a casa com um chocolate preto com laranja. Diz que é para ver se adoço, que ando muito amarga. 

Pois, vamos lá ver como fico com a acidez da laranja.
Hoje de manhã fui passear com o meu pequenito. Só os dois. Às vezes sabe-me bem estar só com um deles para poder olhá-lo como deve ser, sem distrações. Caminhamos muito, de mãos e almas dadas, compramos pão e só regressamos a casa quando já não havia nem uma migalha. Gosto tanto destas nossas pequenas tradições que se vão enraizando no dia-a-dia. São vergonhosamente simples mas ganham a maior importância do mundo quando saímos de casa e, em silêncio, as mãozinhas pequenas me puxam para aquele caminho porque é para ali a felicidade, para aquele pedaço de pão com o mundo a girar à volta. 
No regresso a casa, uma obesa de orgulho fez questão de não nos deixar passar no pouco passeio que restava do seu nariz empinado mas que, ainda assim, teria dado para todos. Olhei para ela e atirei-lhe um sorriso. Vim o resto do caminho a pensar que sinto cada vez mais certeza de que estou a educar os meus filhos na direção certa. Ensino-os a darem o seu lugar, a não quererem ser sempre os primeiros a descer no escorrega, a deixarem a parte mais fácil do passeio para os mais velhinhos, a serem dóceis e amáveis um com o outro e com os outros. Estou a fazer um bom trabalho, sei que estou. E se me disserem que vão ser comidos vivos, volto a atirar com um sorriso. Já vi muito cabrão a ser esbofeteado pela bondade de algumas pessoas. E a levar um grande encontrão de sorrisos como os dos meus filhos.
Malta que foi ao meu casamento, botai os olhinhos nisto.

E agora? Já podemos conversar?

As crianças, as crianças...

Vês, João, foi aqui que tu e o mano foram batizados.
O que é isso de batismo, mamã?
Olha, filho, é quando os meninos se tornam cristãos aos olhos de Deus.
(Silêncio para reflexão)
De que cor são os olhos de Deus, mamã?


Pois é, pois é. Muita gente acha de certeza que era um bom momento para dizer que são de todas as cores e abarcam todas as pessoas, mas não é muita gente que teria que responder às perguntas seguintes. Era eu. Sorri apenas.

Começo a achar que ele faz de propósito e só quer é visibilidade aqui no blog

Vestes o miúdo enquanto eu vou buscar os casacos a ver se nos despachamos a sair de casa?
Visto.



Já vestiste o menino?
Já.
Guardaste o pijama?
Não.
Onde está? Não o vejo!
Não sei... não me lembro onde o deixei.


...


Mamããããããããããã, o mano tem o pijama vestido por baixo da roupa da rua!!!!!!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Pequenino, pepino e mais não sei o quê

Claro que ajuda dar-lhes a conhecer livros desde pequenitos, embora eu não acredite que miraculosamente exista mais tarde uma leitura por prazer se não houver realmente gosto nisso. 
Por cá habituamos os nossos desde bebés. Há dez prateleiras de livros infantis na sala em regime de pronto-a-usar. Para lhes dar uma mãozinha, vou deixando em cima da cama, sempre que lembro, um livro diferente e nunca vou encontrá-lo o mesmo sítio. 

Este já foi o preferido do João quando tinha a idade do irmão e agora faz as delícias do Pedro. É o livro da semana:




O início do primeiro ciclo traz realmente uma mudança radical às nossas vidas. Como é possível que as crianças se tornem tão independentes e já não seja preciso, numa questão de poucos meses, estarmos a ler-lhes tudo quanto são legendas e anúncios publicitários, títulos de livros e instruções de jogos?
O João até já tem um livro de cabeceira!! Não é fácil pôr os miúdos a ler, mas, se fizermos a opções certas, podemos ficar surpreendidos.


A coisa que mais irrita o pai, além da minha evidente desorganização computacional, se é que lhe podemos chamar isto, é chegar a algum sítio, especialmente ao shopping, e ter que me segurar na carteira. Então agora que as quero maiores para carregar a casa toda é que ele afina. Eu bem tento disfarçar o riso, mas às vezes não consigo e lá o enervo mais ainda. Não é por mal e, às vezes, quando brinco e lhe digo que está todo a fazer pendant, até acha piada mas, pelo sim pelo não, atira-me logo a carteira para os braços não vá alguém vê-lo naquelas figurinhas. 

Para consertar este mal, tenho que o levar mais vezes a passar à porta da zara, para que possa observar a tão expansiva espécie de homens que aguardam pacientemente as suas respetivas enquanto experimentam mil e uma peças que não vão levar de forma alguma para casa. Eu sei, eu sei, eles vão deitando o olho a quem passa, mas entre uma deitadela de olho e outra bufam que se fartam.