mais memórias para:
verdepinheiroemsepia@gmail.com

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Àquelas memórias que aqui deixei há uns dias juntam-se estas. As que os meus filhos hão de um dia recordar também. O cantar dos grilos ao final da tarde e, depois do render da guarda, o coaxar dos sapos. Os lírios da montanha a sacudirem-se mesmo debaixo do nosso nariz. As estradas que correm ao lado do rio. Os lagos. Os nenúfares! Há nenúfares aqui!! Há estalidos de calor. E colo. Há colo para todos.

Se viram dois rapazes a correr como se fossem loucos corredor do hotel fora até ao elevador que dá acesso à piscina e os pais atrás deles como se fossem loucos mas sem o como se,

somos nós.
As minhas associações de ideias preocupam-me. Ultimamente ainda me têm deixado mais assustada. Por exemplo, liguei o computador mas não havia net. Fui espreitar o modem e reclamei por não estar a funcionar. Foi então que dei por mim a fazer este cruzamento: 





modem talking
Eu cá acho que quando vamos ler uma receita e ela começa com "Segure nos ovos" é muito bom sinal. Não é?

Rorschach

Há quem o faça com nuvens. Nós preferimos as pedras das paredes das tascas.


Olhem, meninos! Aquela pedra parece um sapato!
Nãããã...
Uma bota?
Hummm... No máximo parece uma rampa de skates.
Ok. E aquela? Não parece mesmo um elefante?
Sabem o que me parecem estas pedras todas?
O quê, João?
Pedras.... Posso comer um corneto?

Quando está no topo do entusiasmo, o João informatiza tudo

E eu estava a dar mergulhos e depois fui buscar os óculos e o tubo de snorkel e então esqueci-me que estava a usá-los e fui tocar no fundo da piscina e aquilo deu erro. 


É, meu filho, há downloads assim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

À noite deito-me entre os dois e ali ficamos até as pestanas serem mais pesadas do que a vontade de brincar. Ontem o Pedro quis mudar de sítio e ficar abraçado ao irmão. Fiquei numa ponta, portanto. Mas assim que o pequenito adormeceu, passei-o para o seu lugar e fiquei novamente no meio. O João achou piada às mudanças e perguntou-me, com a voz pesada de sono, por que tinha voltado para o meio. Disse-lhe que é ali que gosto de estar. 

E tu, João? De que lado preferes adormecer? Esquerdo ou direito?
Ao pé de ti, mamã.

Ó mãe, canta mais uma! Ó mãe, canta mais uma!
E eis que, de repente, sem saber mais onde ir buscar cantigas diferentes para os entreter, começo a cantar a do genérico das Fábulas da Floresta Verde que via em 1985 do início ao fim. Mas como é que me lembro da letra todinha sem uma única falha? E a seguir veio a do Dartacão. E a seguir a dos Flinstones. E por aí fora. E é então que aparecem as memórias de verão. A praia de maio a novembro. Tantas vezes a chuva a bater na toalha. As calipadas ao longo do dia. Os croissants e os lanches mistos a roer a fome de fim de tarde. O leite achocolatado em cima do muro. As fugas de bicla para a piscina. Para todo o lado. Os copos de iogurte atirados de um prédio para o outro e as conversas através do fio. As sestas na rede entre uma árvore e a outra. As perseguições detetivescas pela ruelas mais escondidas de walkie-talkie atrás da mão. 


Ainda sinto o nariz queimado do sol.



Só não me perguntem o que fiz ontem.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Gente informada é outra coisa

Ó João, que é que o teu pai gosta de ver na televisão?
O meu pai gosta muito do Pesca Radical e do Ouro Abaixo de Zero.
E a tua mãe?
A minha mão quase não vê televisão. Gosta é de ler. Agora anda a ler A Rapariga no Comboio.

Temos big brother em casa. Neste caso, big son.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O protagonista chegou agora a casa com um chocolate preto com laranja. Diz que é para ver se adoço, que ando muito amarga. 

Pois, vamos lá ver como fico com a acidez da laranja.