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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Capas

Há um sítio ideal para ver a cidade. Ali ao acabar a ponte, onde ainda sentimos o bafejar do rio e o olhar de canto da colina. As casas encavalitadas não deixam ver as ruas entre elas. Querem parecer impenetráveis, as presunçosas. Basófias e cabra à parte, há portinhos escondidos debaixo dos braços das árvores que se espreguiçam margens acima. Há história e mistérios enlaçados nos choupos e nos esteios. Há abraços de gente do coração que me acolheu como em casa. Há penedos. Há saudade.

domingo, 23 de agosto de 2015

Rico menino, orgulho da sua mãe, sempre atento aos pormenores mais importantes

Sabes, mamã, tenho reparado que as sanitas da casa dos avós são sanijato, assim como as da minha escola. Alguns restaurantes têm sanitas sanindusa. Mas as nossas são mais fixes, porque são bellavista. Já dei por mim a pensar que quando vou fazer chichi a sanita diz

Olha, olha, mas que bellavista!

sábado, 22 de agosto de 2015

Silly season

Pois, pois, isto é tudo muito bonito, mas ainda não vi em lado nenhum quem discutisse o que realmente me anda a atormentar: afinal quanto tempo deve durar um pacote de 250g de m&m's na minha mão? Mais importante ainda: ninguém deslindou até agora o sabor misterioso das chiclas gorila crazy. Estou estupefacta! Raio de silly season! Ou antes raio de saison bête!

O niilismo que é tudo

O que mais aprecio nas férias é o despojamento. Sair de casa com quatro chapéus, protetor solar no bolso de trás dos calções e as t-shirts mais frescas que encontrar no armário sacode-me a poeira de um ano inteiro a correr para isto e para aquilo. Gosto deste despir. De ver os meus filhos de pés descalços e de correr atrás deles sem tralhas atrás de mim. Gosto de piscinas nuas, só para nós, de horas livres de compromissos. Não precisamos de almoços tardios. Nós queremos é comer cedo para ir. Ir. Gosto de ir. E depois pousar novamente.




 
 
 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Lembrete: uma prenda de aniversário fixe é ter a sala só para nós.

Hoje o quarteto fantástico foi ao cinema.
Gosto de ter onde pousar. De sentir que pertenço a um sítio e a quem lá está. Mesmo sabendo que não, que sou livre e que escolho, gosto desta sensação de não ter para onde ir por não me sentir assim noutro lado. Hoje pouso no João. Parabéns, filho!

terça-feira, 11 de agosto de 2015

João, o tecnoboy

Mamã, podes dar-me uma ajuda?
Só um bocadinho, filhote! Estou a passar a ferro!
E não podes carregar no pause?

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Estive a arrumar o material escolar do João e encontrei um caderno onde ia rabiscando umas coisitas em casa. Vi, entre outras, umas cópias que foi fazendo. 


Então mas tu pões o teu filho a fazer cópias de textos sobre traques?
Claro. Se quero que fique com uma caligrafia de jeito, tenho que lhe dar tarefas aliciantes. Não me digam que voltaram as perguntas esquisitas.

domingo, 9 de agosto de 2015

Imagine-se o brinquinho que isto anda nos dias de passeio da escola dos meus filhos

Há quem vá às massagens. Quem roa as unhas. Conheço pessoas que papam séries inteiras, filmes seguidos e livros ou revistas. Jornais também servem. Há quem leia blogs. Eu, quando estou ansiosa, limpo a casa. Se alguma coisa não me corre bem, limpo a casa. Se estou à espera de notícias, limpo a casa. Quando há algo que me preocupa, limpo a casa. 


Na viagem de dois dias quando o João foi finalista até os cantinhos ficaram a brilhar!
Da próxima vez que me perguntarem o que é isso de deítico e para que serve, não vou enganar com teorias balofas e definições que estudei nos livros. Agora já sei o que é um deítico: é o caminho mais curto para se deixar uma mãe de sobrolho franzido. 


Quando pergunto

Pedrinho, onde escondeste o comando da televisão?

Pedrinho, que barulho é este, onde estás a mexer?

Pedrinho, onde andas?

Pedrinho, não sei onde está o teu garfo, onde o guardaste?

Onde queres dormir, Pedrinho?



a resposta é invarialvelmente um


 Aqui!