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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Regra(s) número um (e por aí fora) das mães com a cabeça no ar

Vais às compras. Tudo certo. Experimentas peças atrás de peças. Tudo certo. Escolhes as que queres levar. Tudo certo. Fazes um montinho com essas. Tudo certo. Ficas feliz. Tudo certo. Mudas algumas pecinhas do monte das que não ias levar para o outro. Tudo certo. Ficas ainda mais feliz. Tudo certo. Assim que chegas a casa, tiras uma das peças do saco com ânsia de a vestir. Tudo certo. Sais com ela de casa. Tudo certo. Esqueces-te de tirar a etiqueta do preço. Tudo certo. A etiqueta fica para trás. Tudo certo. A p*ta da etiqueta vai até ao meio das pernas e é fluorescente. Isso é que já não.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ando cá desconfiada que o meu filho mais novo acha que já sabe ler e que lê em todo o lado rasga-me, espatifa-me, destrói-me

Numa loja de brinquedos, o João apontou-me um puzzle de trinta e tal mil peças. Levantou o sobrolho e sorriu. Não, João, nem penses. Trouxe-lhe um livro de mitologia grega (agora anda virado para os embates entre deuses, semi-deuses e titãs). Quando chegamos a casa, deixei-o em cima do sofá, para que o pudesse ler quando quisesse. Acontece que quem lá chegou primeiro foi o Pedro. E eu, ali ao lado, bem que ouvia um som estranho. Vim mais tarde a perceber que era o som do rasgar. Desfez o livro em pedacinhos. Estive horas a colar tudo, todas aquelas imagens monocromáticas e carregadas de deuses e deusas e ninfas e musas com aquelas vestes todas iguais e aquelas caras todas iguais e aquelas barbas todas iguais. Quando acabei, olhei à minha volta e o João estava a observar-me:

Estava aqui a pensar, mãe, com que então não querias o puzzle das trinta e cinco mil peças, hein?


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cheat happens

Anda aí uma mania entre os miúdos (os meus incluídos), entre os três e os quinze anos, embora possa esticar-se até aos quarenta: vão para a net ver outras pessoas a jogar. A que se deve esta nova versão de voyeur? Alguns fazem-no para aprender a jogar, a vencer obstáculos sem grande trabalho. Para outros será só puro entretenimento. Gostam de ver outros a jogar, riem-se com os falhanços, invejam as vitórias. Quando isto não lhes chega, há sites especializados em batota. 

E depois deixam à espera uma mãe-galinha que não gosta que os filhos comam comida fria. Chama, chama e só lhe dizem 

Só mais um minuto, estamos no Cheat happens!

Ora, uma mãe-galinha tem vontade de responder

Cluck that cheat!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Hipocondríacos, ponde os olhinhos nisto, se achardes que não vos faz mal aos olhinhos, claro!

João, tens os olhos tão vermelhos!
Pois tenho, tenho um pouco de comichão também.
Acho que deve ser uma conjuntivite.
Achas?
Sim.
Ufa! Que alívio! Pelos menos não é cansaço e posso continuar a ver televisão!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A propósito da crise dos 40... ou uns anos antes...

Hoje ao almoço a conversa era sobre a idade e o que ela nos faz sentir. Confesso que hesitei um pouco quando perguntaram a minha.

Sei lá. Praí uns 16 ou isso.

Mas a verdade é que me deixaram a pen(s)ar.

Tenho 37. É uma idade interessante. Sentimo-nos donas da verdade. Sabemos tudo, mas, às vezes, vacilamos. E é aí que ficamos sem chão, porque somos donas de nada.

É a idade que esperávamos há tanto para podermos, sem parecermos velhas, vestir uma saia lápis e usar uns saltos agulha (pelos vistos até para as tarefas domésticas), mas depois espetamos com umas huggs nos pés e umas calças de ganga rotas nas coxas e achamos que assim é que é. Assim que é que nos sentimos nós próprias. E é nesta altura que começamos a responder aos olhares de mas tu achas que tens idade para isso? que cruzam o nosso na rua com um havias de ver os calções de ganga a mostrar as nádegas que usava quando tinha quinze anos!

É a idade em que nos damos ao luxo de usar uma mala xxl carregada de tudo e mais alguma coisa, aquela que todos dizem ser caótica, aquela que é despejada pelo homem em cima do sofá sempre que precisa das chaves do carro e da qual tira tudo menos o que procurava, aquela na qual enfiamos a mão para, um segundo depois, tirarmos o batom do cieiro. E as chaves do carro, que lhe entregamos enquanto besuntamos os lábios com ar de vitória. E com aquela gosma.

É a idade em nos esfregam constantemente com imagens dos tou, das gorila, dos pega-monstros, das páginas de diário perfumadas, às quais fazemos um  ar de sou muito mais feliz agora enquanto engolimos em seco as saudades daqueles tempos.

É a idade em que nos dá para escrevermos posts destes só para adiar um pouco a hora de ir fazer a janta. É que, aos 37, já não nos chamam para mesa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Pedro está a ouvir, no volume máximo, a Galinha Pintadinha em espanhol. Já lhe disse várias vezes que os vizinhos não aguentam isto. 


Os vizinhos não estão em casa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A sério. Quando penso que não há melhor, ele supera-se.

No Natal, ofereceu-me uma coluna portátil para o telemóvel.
Hoje gabei-lhe a ideia.

Nem imaginas o quanto a coluna que me deste está a ser útil. Tenho-a usado todos os dias nas aulas.
Mas não foi para isso que ta dei.
Ai não? Mas também é boa para quando estou a fazer exercício.
Só que não foi para isso que ta dei.
Para entreter os miúdos é um espetáculo. Música a bombar e é vê-los dançar feitos doidos. E, claro, eu também.
Bom, parece-me que não fui claro quanto ao meu objetivo ao comprá-la.
Foste, foste! É para quando estou a cozinhar, não é? Mas como já deves ter reparado, também a uso na cozinha, quando estou a preparar as refeições.
Humm... era mais porque te queixas da seca que é limpares as casas de banho.

(Deve ser uma animação ver-me a esfregar banheiras ao som da Adele!)


domingo, 31 de janeiro de 2016

Mais amoroso a cada dia

Sabes do que mais gosto em ti?
Gostas de alguma coisa em mim?!?
Sim: daqueles dias em que te arranjas toda, chegas a casa toda empinocada e vestes logo o pijama, enfias as meias por fora das calças, as calças por cima da camisola, prendes o cabelo com uma mola e sacas logo a maquilhagem toda da cara, como quem me quer dizer daqui é só isto que levas, meu. Não abres a boca, mas é isso que ouço. Não podes deixar os saltos só mais um pouquinho quando chegas?



Ora bem, preciso de ajuda. Não percebi muito bem. É para tratar dos miúdos a usar salto alto? Fazer o jantar e preparar tudo para o dia seguinte sempre a retocar o meu chanel rouge? Adormecer em pé mas com o eyeliner impecável? Ou é só para tirar tudo e deixar apenas os sapatos de salto alto? É capaz de ser bastante distrator para todos os envolvidos...



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Os meus filhos já não usam bodies, mas há cada vez mais gavetas cá em casa

A crise dos 40 começa as 41?
É que hoje de manhã, já depois de tratar da roupa dos miúdos, da minha, dos lanches, dos pequenos-almoços, já depois dos narizes assoados, dos dentes escovados, logo hoje que eu tinha que chegar mais cedo ao trabalho e ainda queria comer qualquer coisa antes de sair de casa, sendo que já só faltavam 15 minutos para a hora de lá estar e ainda estava de pijama com o estômago vazio em casa (inspiração profunda por falta de pontos finais), ouço tocar o alarme de sua excelência que sabe perfeitamente que se os miúdos não estão fora da cama antes das oito horas alguém se vai lixar e mesmo assim programa a merda do alarme para muito depois dessa hora e trata da sua vidinha muito calmamente com ar de quem quem todo o tempo do mundo e o enfado de quem não sabe como preenchê-lo (nova inspiração profunda, tenho que começar a usar mais pontos finais, mas realmente hoje de manhã nem vírgulas quanto mais pontos finais e vou parar por aqui antes que tenha que inspirar profundamente outra vez). 
Dizia eu: entra na cozinha, vê o meu estado de nervos e aflição e atira com um

Achas que esta camisola fica bem com estas calças?



As mulheres também têm direito à crise dos 40? E pode acontecer aos 37?

'tás gorda

O que estás a cozinhar aí?
Espinafres. Também vais querer?
Eu? Porra! Não!
Anda lá! Assim sempre podias ser o meu Popeye!
Achas? Não dá! Tu estás tãããão longe de ser a Olívia Palito!