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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Já tivemos cá uma senhora a ajudar nas lides domésticas. Entretanto ela teve que parar e nós, por não encontrarmos quem estivesse à sua altura e não podendo a casa ficar à espera que nos decidíssemos, fomos fazendo o que há para fazer. Para tornar a coisa menos penosa, pomos música nas alturas, vamos fazendo umas palhaçadas (do género dança do varão e imitações parvas dessa bela arte que é o striptease) e isto vai-se fazendo com tanta piada que acabou por se tornar um momento só nosso, de descontração e de boa disposição. Quando nos perguntam se, como casal, não sentimos falta de momentos só nossos, respondemos sempre: não, somos nós limpamos a casa. Isto foi ganhando proporções tais que, a dada altura, estamos ansiosos por ir lavar vidros, limpar rodapés e esfregar sanitas. Bom, verdade verdadinha, isto poupa-nos muito dinheiro em ginásios e, a ver bem a coisa, está carregadinho de sex appeal. Então com os tais saltos agulha!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

The Big Bang Theory é para meninos

O resultado de ser mãe geek de filhos geek com alunos geek dá dez minutos de aula a tentar perceber como será que o Darth Vader espirra. Incluindo com British accent.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Às vezes tenho conversas que testam a absurdez da vida #1

Obriga os seus filhos a comerem sopa?
Não!
Ai não? Porquê? Não sabe que lhes faz falta?
Faz?
Faz pois!
Mas lá em casa comemos legumes. Crus, é certo, mas comemos muitos!
A sério?
Sim, a sério.
E a mãe também come?
Claro, quem acha que lhes impingiu esta ideia? Eu sempre gostei de legumes crus e prefiro-os aos cozinhados.
Blerc! Que legumes é que come crus?
Todos, menos batata. Adoro feijão verde, abóbora, couve-flor, tudo.
Que horror! Isso é lá coisa que se coma crua!
Pois, olhe, são opiniões. E conte-me lá: o que é que faz?
Sou sushiman.
?!?!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Chuuuuuuuu...ta prá frente!!...

Os meus filhos não gostam de futebol. Por isso, ontem, enquanto decorria o jogo, entretive os miúdos com uma twisterada. É um dos jogos preferidos cá em casa, pelo contorcionismo apatetado e pelas quedas aparatosas. Por duas vezes, o vizinho gritou gooooooooooooolooooooooo e nós, aguentando a posição da mão esquerda no amarelo e do pé direito no verde, calávamo-nos para tentarmos perceber se teria havido realmente golo. Passados os 90 minutos, ouvimo-lo outra vez a gritar.
Shhhhh, meninos! Agora tudo calado! Vamos ver o que aconteceu!
Foi então que se ouviu:
Yeaahhhhhh! Chup... 

Ieeeeiiii!!!! Gritem, filhotes, gritem!!! Saltem!!! Ieeeeiiii!!!!

Mas, mãe, por que estás aos saltos a gritar como uma doida?Assim não ouvimos o vizinho.

Pois.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Regra(s) número um (e por aí fora) das mães com a cabeça no ar

Vais às compras. Tudo certo. Experimentas peças atrás de peças. Tudo certo. Escolhes as que queres levar. Tudo certo. Fazes um montinho com essas. Tudo certo. Ficas feliz. Tudo certo. Mudas algumas pecinhas do monte das que não ias levar para o outro. Tudo certo. Ficas ainda mais feliz. Tudo certo. Assim que chegas a casa, tiras uma das peças do saco com ânsia de a vestir. Tudo certo. Sais com ela de casa. Tudo certo. Esqueces-te de tirar a etiqueta do preço. Tudo certo. A etiqueta fica para trás. Tudo certo. A p*ta da etiqueta vai até ao meio das pernas e é fluorescente. Isso é que já não.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ando cá desconfiada que o meu filho mais novo acha que já sabe ler e que lê em todo o lado rasga-me, espatifa-me, destrói-me

Numa loja de brinquedos, o João apontou-me um puzzle de trinta e tal mil peças. Levantou o sobrolho e sorriu. Não, João, nem penses. Trouxe-lhe um livro de mitologia grega (agora anda virado para os embates entre deuses, semi-deuses e titãs). Quando chegamos a casa, deixei-o em cima do sofá, para que o pudesse ler quando quisesse. Acontece que quem lá chegou primeiro foi o Pedro. E eu, ali ao lado, bem que ouvia um som estranho. Vim mais tarde a perceber que era o som do rasgar. Desfez o livro em pedacinhos. Estive horas a colar tudo, todas aquelas imagens monocromáticas e carregadas de deuses e deusas e ninfas e musas com aquelas vestes todas iguais e aquelas caras todas iguais e aquelas barbas todas iguais. Quando acabei, olhei à minha volta e o João estava a observar-me:

Estava aqui a pensar, mãe, com que então não querias o puzzle das trinta e cinco mil peças, hein?


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cheat happens

Anda aí uma mania entre os miúdos (os meus incluídos), entre os três e os quinze anos, embora possa esticar-se até aos quarenta: vão para a net ver outras pessoas a jogar. A que se deve esta nova versão de voyeur? Alguns fazem-no para aprender a jogar, a vencer obstáculos sem grande trabalho. Para outros será só puro entretenimento. Gostam de ver outros a jogar, riem-se com os falhanços, invejam as vitórias. Quando isto não lhes chega, há sites especializados em batota. 

E depois deixam à espera uma mãe-galinha que não gosta que os filhos comam comida fria. Chama, chama e só lhe dizem 

Só mais um minuto, estamos no Cheat happens!

Ora, uma mãe-galinha tem vontade de responder

Cluck that cheat!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Hipocondríacos, ponde os olhinhos nisto, se achardes que não vos faz mal aos olhinhos, claro!

João, tens os olhos tão vermelhos!
Pois tenho, tenho um pouco de comichão também.
Acho que deve ser uma conjuntivite.
Achas?
Sim.
Ufa! Que alívio! Pelos menos não é cansaço e posso continuar a ver televisão!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A propósito da crise dos 40... ou uns anos antes...

Hoje ao almoço a conversa era sobre a idade e o que ela nos faz sentir. Confesso que hesitei um pouco quando perguntaram a minha.

Sei lá. Praí uns 16 ou isso.

Mas a verdade é que me deixaram a pen(s)ar.

Tenho 37. É uma idade interessante. Sentimo-nos donas da verdade. Sabemos tudo, mas, às vezes, vacilamos. E é aí que ficamos sem chão, porque somos donas de nada.

É a idade que esperávamos há tanto para podermos, sem parecermos velhas, vestir uma saia lápis e usar uns saltos agulha (pelos vistos até para as tarefas domésticas), mas depois espetamos com umas huggs nos pés e umas calças de ganga rotas nas coxas e achamos que assim é que é. Assim que é que nos sentimos nós próprias. E é nesta altura que começamos a responder aos olhares de mas tu achas que tens idade para isso? que cruzam o nosso na rua com um havias de ver os calções de ganga a mostrar as nádegas que usava quando tinha quinze anos!

É a idade em que nos damos ao luxo de usar uma mala xxl carregada de tudo e mais alguma coisa, aquela que todos dizem ser caótica, aquela que é despejada pelo homem em cima do sofá sempre que precisa das chaves do carro e da qual tira tudo menos o que procurava, aquela na qual enfiamos a mão para, um segundo depois, tirarmos o batom do cieiro. E as chaves do carro, que lhe entregamos enquanto besuntamos os lábios com ar de vitória. E com aquela gosma.

É a idade em nos esfregam constantemente com imagens dos tou, das gorila, dos pega-monstros, das páginas de diário perfumadas, às quais fazemos um  ar de sou muito mais feliz agora enquanto engolimos em seco as saudades daqueles tempos.

É a idade em que nos dá para escrevermos posts destes só para adiar um pouco a hora de ir fazer a janta. É que, aos 37, já não nos chamam para mesa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Pedro está a ouvir, no volume máximo, a Galinha Pintadinha em espanhol. Já lhe disse várias vezes que os vizinhos não aguentam isto. 


Os vizinhos não estão em casa.