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sexta-feira, 11 de março de 2016

Não sei o que há na antiguidade que me fascina assim

Quando era miúda, faziam furor os filmes que tivessem lugar num futuro esquisito, com malta a tomar um comprimido para despachar o pequeno-almoço, a meter-se num hovercraft a caminho do trabalho e a vestir porras que mais pareciam feitas de sacos do lixo carregados de goma. Nunca achei grande piada a isto. Pareceu-me sempre tudo um grande disparate e, agora, posso comprová-lo: em que século estamos? Em que ano estamos? Eu cá continuo a ver o pessoal a sacar as remelas com água da torneira; a enfiar um pão com manteiga no bucho enquanto procura as chaves do carro, de quatro rodas, que só andam na estrada, sem asas, fuminhos e faíscas estranhas a sairem-lhe do escape; a ir trabalhar com ar de enfado e já muito chateado porque não encontrava as chaves. 
Agora, filmes de época, esses sim já eram para mim. Adorava imaginar-me naqueles tempos, com aquelas indumentárias, aqueles costumes. É uma parvoíce, bem sei, porque não haveria, com certeza, o conforto que há hoje, mesmo sem comboios a atravessar os céus e leggings justas de plástico preto (ups...). Mas até eu já me habituei às minhas parvoíces e nem as questiono. 
Há uns dias, cruzei-me com fotografias antigas, com mais de um século, da cidade onde vivo. Fui vendo os prédios serem acrescentados, a vista para o mar desaparecer, o monte que via lá ao longe ser tapado, o descampado onde brincávamos na lama ser ocupado, as casas novas serem casas velhas e as velhas ruírem. Fui-me habituando a estes novos cenários, mas, quando vejo estas fotografias, transporto-me imediatamente para aquelas ruas que agora calco tantas vezes, para lá e para cá, e sinto-me em casa. Nunca lá estive. Mas sinto-me em casa.

domingo, 6 de março de 2016

Sabemos que estamos no bom caminho

quando, não estando o irmão por perto, damos uma bolacha de chocolate ao Pedro e ele a parte ao meio, pousa metade no prato do João para ele comer quando chegar e come a outra metade.

sábado, 5 de março de 2016

O que havia dantes no fim de semana e agora não há?

Duas coisas: o hífen e o sossego.

Dia de semana
Esta mãe - Vamos lá! Toca a acordar! Vamos!
Os filhos - Huuuummm... só mais um bocadinho...
O pai - rrzzz... rrzzz...

Fim de semana
Os filhos - Vamos lá! Toca a acordar! Vamos!
Esta mãe - Huuuummm... só mais um bocadinho...
O pai - rrzzz... rrzzz...



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A maior qualidade dos meus alunos? Diria que é a fofura.

Então vamos lá ver se percebemos isto. Quem me dá palavras da mesma família de ramo?

Raminho!
Muito bem!

Ramada!
Boa!

Ramalhete!
É isso mesmo!

Ramificação!
Vocês percebem mesmo disto!

Rameira!
?!?   

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O meu dentista é mesmo insuportável. Saberá ele o quão difícil é conter o riso com a boca aberta?

Ora vamos lá então tratar esses canais. Patrícia, trata-me do dique? Sabe, a nossa Patrícia é fã de diques.

Insuportável.
Nas listas de contactos de email, há dois tipos de pessoas. Há as que não se falam há dois meses mas enviam mensagens do género

Queres ir almoçar?

às quais se responde

S

e há as outras. As que escrevem

Olá! Como estás? Tens andando bem? Estava a pensar em convidar-te para almoçar. O que achas? Dá-te jeito? Se não der, não faz mal. Combinamos noutra altura. Mas, se der, gostava muito de matar saudades. Então? Parece-te bem? Diz qualquer coisa.

A estas pessoas já não se pode responder S. Terá que ser algo mais elaborado. Pelo menos algo que responda às perguntas todas. Ou seria só uma? Já nem sei. É que, se se responder com floreados, o mais certo é a coisa nunca mais ter fim. Imaginemos:

Olá! Está tudo bem. E contigo? Eu tenho andado bem. Estavas a pensar em convidar-me para almoçar? Acha muito bem! Se me dá-te jeito? Dá pois! Não combinamos nada noutra altura: é já! Até porque eu gostava muito de matar saudades. Lá está - parece-me bem! 

E depois a pessoa responde:

Olá outra vez! Estás bem desde a última mensagem? Oh! És tão querida! Obrigada por aceitares o mesmo convite! Beijocas gordas e fofas!

E continua:

Olá novamente! Desde há cinco minutos heheheheheh! Oh! Querida és tu! Obrigada eu por me convidares! Beijocas ainda mais gordas e fofas!

Não, não! Tu é que és querida e gosto muito de ti! Bjs!

Desculpa, querida mesmo, mesmo és tu! Beijoquinhas!

Não discutas comigo! Eu sei bem quem é que é querida! E és tu! Vá, beijo!

Olha lá, tu estás a por em causa a minha palavra! Sua ...

E lá se foi o almoço. A sério, mais vale manter a coisa simples. Repitam comigo:

Queres ir almoçar?

S


L'Oréalismo da vida

O senhor meu marido tirou as compras dos sacos. Atenção! TIROU as compras. Não leram aqui que as arrumou, pois não? Bom...
Então, tirou as compras dos sacos e descobriu, lá dentro, os lençóis de papel que nos entregam aquando do pagamento. Aquilo equivale seguramente a um bosque ou dois em madeira, não? Enfim, dizia eu que, ao espreitar os papelitos, deu um salto para trás. 

Tu gastas este dinheiro todo em cremes? Este é para quê? E isto o que é? Ainda se resultassem!

Ora bem, estas palavras caem tão bem como beber água depois de comer feijoada. E têm quase o mesmo efeito.

Isto é máscara para o cabelo. (Máscara? Mas onde já vai o Carnaval!)
Isto é creme de dia para evitar a flacidez. Este é o de noite. (Olha, querem lá ver que os cremes agora já distinguem o dia da noite. O creme de noite dorme-te na pele, é?)
Isto é água micelar para lavar a cara. (Água milenar? Então usas coisas velhas para evitares o envelhecimento?)
Não! É água micelar! Não me agride a pele do rosto como a água da torneira! (E não pode usar água do garrafão para lavar a cara? Sempre ficava mais barato!)

Portanto, doravante, terei que me contentar com o sérum Luso antirrugas ou o fluido Fastio para as manchas. Ou, se for mesmo poupadinha, vou ao depósito do desumidificador.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Filho de peixe

O que vou apetece hoje para o jantar? Não tenho ideias...
Posso dizer em inglês?
Podes, João. Podes dizer numa língua qualquer, desde que me dês ideias.
My favourite food is paneidous.
Hã?
Como é que se diz panados em inglês, mãe?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Já tivemos cá uma senhora a ajudar nas lides domésticas. Entretanto ela teve que parar e nós, por não encontrarmos quem estivesse à sua altura e não podendo a casa ficar à espera que nos decidíssemos, fomos fazendo o que há para fazer. Para tornar a coisa menos penosa, pomos música nas alturas, vamos fazendo umas palhaçadas (do género dança do varão e imitações parvas dessa bela arte que é o striptease) e isto vai-se fazendo com tanta piada que acabou por se tornar um momento só nosso, de descontração e de boa disposição. Quando nos perguntam se, como casal, não sentimos falta de momentos só nossos, respondemos sempre: não, somos nós limpamos a casa. Isto foi ganhando proporções tais que, a dada altura, estamos ansiosos por ir lavar vidros, limpar rodapés e esfregar sanitas. Bom, verdade verdadinha, isto poupa-nos muito dinheiro em ginásios e, a ver bem a coisa, está carregadinho de sex appeal. Então com os tais saltos agulha!!