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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Tenho que parar de fazer pratos indianos cá em casa.

O repertório de palavrões que o João conhece (mas não usa!) vai aumentando de dia para dia. Hoje chegou a casa e comentou comigo:
Sabes, mãe, hoje ouvi um amigo da escola a dizer um palavrão no intervalo. Eu nem sabia que aquilo exitia. Quer dizer, não percebi muito bem o que ele disse, mas acho que já tinha ouvido um parecido.
Qual foi?
Posso dizer?
Podes; já sabes que não podes usá-los, mas deves conhecê-los. De que outra forma saberias o que não podes dizer?
OK. Aqui vai: p*ta de caril.
Oh, filho. Não É p*uta de caril, é p*ta que pariu. 
Hum... mas isso não faz sentido nenhum! O que é pariu?

terça-feira, 5 de abril de 2016

Eu pensava que o Jardim das Aromáticas era o paraíso,






mas depois fui à Viarco. Oh boy! Assim que pisei o primeiro pedaço de chão daquela fábrica e senti aquele cheirinho, caraças! Quem me vir, em início de ano letivo (ou qualquer outra ocasião), no corredor do material escolar a cheirar as caixas de lápis, há de achar que sou choné. E não é que tem toda a razão? Cadernos, blocos de papel, canetas, borrachas... enfim, cada um com a sua. A minha é esta. Então, assim que entrei, foi como estar no tal corredor, a cheirar a dita caixa, mas tudo em muito mais! Eu podia ir viver para ali. Há quem deseje uma moradia com jardim e piscina; eu cá era feliz a viver na Viarco. Ali satisfaz-se todos os sentidos. Aquelas cores! Uau! Escusado será dizer que me desgracei na loja... Era um de cada, se faz favor! Em não podendo ser, trouxe uma pequena amostra do que mais me lembra a minha infância. Quando vinha a sair, pensei que estava ali tudo para me fazer feliz, só faltava mesmo, para a situação ser completamente ridícula, que os meus olhos pousassem num conjunto de lápis com o meu cheiro preferido. Mas isso já seria pedir muito. Não?


domingo, 3 de abril de 2016

Não há nada mais deprimente do que preparar as mochilas depois das férias. Cada peça que vai lá para dentro lembra as manhãs a acordar tarde na ânsia de saber se estaria sol para saltarmos à corda lá fora ou se estaria a chover para agarrarmos nas galochas e... saltarmos à corda lá fora, as jornadas no cinema, as passeatas sem destino, os lanches na cama depois do banho depois da lama, as corridas na relva ainda fresca de primavera, os morangueiros e as chorinas que esperamos no nosso mini mini jardim urbano, os batidos de bolacha maria, a doçura da despreocupação...

Bolas! Estou quase a chorar! Vou deixar mochilas para amanhã de manhã.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Lista de compras hardcore

Depois da secção dos legumes, lembrei-me que faltava a latinha de vasenol para o cieiro dos miúdos, aqueles autocolantes que se põe no pé da cadeira para não arranhar o chão e os guardanapos. Com jantarada logo à noite, ainda tínhamos que correr muito para conseguir ter tudo pronto a horas. 
- Vai ao fundo do corredor buscar a proteção que eu trato da vaselina. Anda que ainda temos que despachar os miúdos para os meus pais. Ah! E lembra-te de não por tudo em cima dos tomates. Já sabes que ficam todos pisados. - disse-lhe eu esbaforidamente, enquanto olho para o lado e dou de caras com um senhor que mantinha a boca aberta até ao umbigo.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Contar até dez

Somos constantemente assaltados por anúncios que prometem salvar-nos nas lides domésticas. Com o aparecimento de perfis de completa inutilidade, a coisa agravou-se visivelmente. Desde Temos a solução para deixar as suas panelas a brilhar ou Acabe com os borbotos nas suas camisolas ou ainda Diga não às rugas com esta mistela nojenta, há de tudo um pouco. E depois, a malta deixa esturricar o jantar enquanto lê essas merdas. Aí sim vai precisar de saber qual é a tal solução para "deixar as suas panelas a brilhar", abrir a janela e, num vídeo rasca em fast foward, ler as legendas em letras garrafais: espalhe sal grosso e vinagre sobre a panela e esfregue durante quatro horas.

Cumplicidade

Tanto correm pela casa fora um atrás  do outro,
não entendendo o sofá como um obstáculo que encontram pelo caminho,
como se aninham ali,
num não-começa-nem-acaba perfeito.

sexta-feira, 25 de março de 2016

O Jardim das Aromáticas em Serralves

A entrada pela quinta é maravilhosa. Os olhos perdem-se naquele espaço embebido em verde. Os meus filhos, que têm radar para estas coisas, vão diretos aos animais e deliram com os cavalos, as ovelhas e as galinhas. Continuamos o percurso, com o João à cata de dentes-de-leão e o Pedro a soprá-los com quanta força tem. A nossa atenção deita-se na paisagem, que nos absorve por completo. Repentinamente, chegamos ao Jardim das Aromáticas e eu, que o desconhecia, sinto-me a pairar. Uau! Estão cá todas! Isto é paradisíaco! Esfreguei a mão que tinha livre em todas as ervas e levei-a ao nariz como se de um tesouro se tratasse. Teria lá ficado o resto da manhã, não fossem os outros pedacinhos do Éden que ainda faltava visitar. E continuei o meu caminho de (c)alma cheia.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ciberindignação

Vou deixar de ir ao facebook. De cada vez que lá vou salta-me um anúncio para a fronha a dizer que alguém que já foi meu aluno atinge nesse dia a idade que eu tinha quando lhe dei aulas. Cambada de mentirosos, pá!

sábado, 19 de março de 2016

Ligou-me uma amiga.

Fui comprar prendas de Páscoa para os teus filhos. Entrei em todas as lojas e, em todas, a conversa foi Se é para os filhos da fulaninha de tal, é melhor não levar essa peça. Ela gosta mais desta. Porra, pá! É que és mesmo chata! Controlas tudo, mesmo quando não estás, mesmo que nem saibas o que estamos a fazer. Bolas, pá!


E é isto. Verde Pinheiro em Sépia a torrar a paciência na baixa desde mil nove e setenta e tal.