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domingo, 15 de janeiro de 2017

Tantos brinquedos, Pai Natal, e para quê? Afinal, nesta casa destila-se critatividade...

Mãe, gosto de brincar com os raios de sol a entrarem pela janela. Se agitar bem os braços, vê-se aquele pó todo no ar. Então, finjo que sou um gigante malvado e que aquelas partículas de pó são helicópteros da polícia que vou destruindo.


E ando eu feita parva a aspirar o cotão dos cantinhos. Aquilo passa bem por colunas de canhões, não?

Oh não! "Afinal quem é o adulto aqui?" - nova versão

Tínhamos acabado de jantar.

Precisas de ajuda com a louça, mãe?
Não, obrigada, Joãozinho.
Então posso ir jogar Playstation?
Podes, filhote.

À velocidade da luz, o João dirige-se para a sala. Do alto dos seus quatro anitos, o Pedro olha para mim com ar de desaprovação:

O miúdo está mesmo viciado, mamã.




domingo, 18 de dezembro de 2016

Mais um momento enternecedor entre irmãos

E então, Pedro, o patinho abraçou a patinha e disse-lhe Queres fazer ovinhos comigo?





Isto é Estudo do Meio a fazer maravilhas pelas crianças.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fui a uma sessão baseada na meditação mindfulness. Mas por que é que me meto nestas embrulhadas? Se há coisa que eu faço desde que me conheço é perder-me completamente nos meus pensamentos, no meu mundinho, quando estou a cozinhar ou a tratar da loiça, quando estou a tomar banho ou a lavar os dentes, quando estou a ouvir certas pessoas (if you know what I mean...). E até acho bastante saudável perder-me assim, nos meus pensamentos, são momentos meus, só meus, em que, preocupada ou não, não estou propriamente consciente do que se passa à minha volta e, assim, acabo por me concentrar apenas nas ideias que povoam a minha cabeça naquele instante. Ora, a maravilhosa sessão, na qual me ensinaram que é muito importante vivermos cada gesto, sentirmos cada objeto, apercebermo-nos de cada movimento de cada músculo do nosso corpo, deixou-me assim a modos que com vontade de dar um estalo a mim própria e ter consciência disso! 

Agora respirem fundo e sintam a caneta na vossa mão. 
Bonito, mas tenho tanto trabalho à minha espera que isto parece só muito parvo.

Continuem a respirar fundo e apercebam-se dos movimentos do vosso diafragma. 
Pois, bonito outra vez, mas o movimento de ir embora daqui seria ainda mais espetacular.

Prestem agora atenção ao ar que entra no vosso nariz.
Está bem, mas eu queria era concentra-me no verbo sair.

Neste momento, foquem-se na expulsão do ar, imaginem cada partícula.
Ora f*da-se! Cada partícula? Mas isso vai demorar de caraças! Estou tão concentrada que acho que até estou a conseguir ouvir o tic-tac do relógio. Do relógio de uma bomba chamada eu.

 Por falar em bomba, saí de lá e fui direta à da asma.

sábado, 26 de novembro de 2016

Aquela estratégia de cantarolar em momento de birra? Lixei-me.
Andei que tempos a gabar-me do sucesso desta ideia. Agora, sempre que me ouve um Atenção à brincadeira, Pedro! Olha que cais e fazes um galo!, o miúdo desata a cantar O nosso galo é bom cantor é bom cantor tem boa voz...
Sempre que lhe ralho com um É assim que se entrega a tesoura? Com o bico virado para fora?, atira-me com O meu chapéu tem três bicos tem três bicos o meu chapéu... 
Sempre que lanço o meu olhar ameaçador acompanhado de um Ah!, ouço de volta Ah ah ah minha machadinha ah ah ah minha machadinha quem te pôs a mão sabendo que és minha?
Sempre que se pegam e chamo, com voa mais áspera, Pedro e João!, levo com uma versão singular de O balão do João sobe sobe sem parar está feliz o petiz...
Sempre que... sempre que... sempre. Bela ideia a minha.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Às vezes apetece-me tanto chegar a casa e vestir o pijama.
Outras vezes também.
Hoje é uma dessas vezes.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Há dias que me sinto com 16 anos. Há outros em que vejo o quanto cresci. Agora, sou eu que preparo os pratos, guardando para mim a parte mais seca do frango, a zona menos apetecível do peixe, o pedaço tocado da fruta. Caramba, quando é que isto aconteceu? Quando é que me tornei na pessoa que cuidava de mim, me acarinhava, me dava colo. E ainda mais importante do que isso: será que estou a fazer um trabalho tão bom como o que fizeram comigo nisto de ensinar a amar?

sábado, 15 de outubro de 2016

Enoturista

Estava a tratar do jantar quando me apercebi que não havia o que beber. Dei, então, por mim a pensar em como faço a seleção do vinho:
Antes de mais nada, tenho em conta a ocasião e a refeição, escolho cuidadosamente o sabor e o aroma, tento adequar a graduação alcoólica a quem vai bebê-lo comigo.  E é óbvio que estou atenta à classificação do vinho.


Nã! Estava a gozar! Limito-me a dirigir-me à adega, vulgo garagem, não acendo a luz e tiro uma garrafa da caixa à sorte, torcendo para que não me saia vinho verde. Não é que não aprecie, é só porque me dá cabo dos intestinos.

Eu sei: sou uma connaisseuse.