Fulaninho de Tal - Hoje não posso fazer a aula, professor. Tenho uma unha encravada.
Pai-destas-crianças - OK.
Beltraninho de Tal - Não vai verificar, professor?
Pai-destas-crianças - Verificar o quê?
Beltraninho de Tal - Então... verificar se o meu colega tem realmente uma unha encravada!!
Pai-destas-crianças - Não. Prefiro confiar. Já viste se ele me dizia que não ia fazer a aula porque tinha hemorróidas!?!
sábado, 21 de janeiro de 2017
Herança
Acabo de receber um telefonema da minha mãe.
Obrigada, filha, pela canja que deixaste, com o recado, para mim. Senti-me pequenina outra vez. É igual à da Avó.
Isto é, seguramente, a coisa mais importante que a minha mãe me disse em toda a minha vida. Estou em lágrimas.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Tenho uma sorte tremenda. Há quase quatro décadas, nasceram, para mim, os Avós. Os mais dedicados. Prestadores de colo com total abnegação. De um amor que sempre foi, em momentos bons e menos bons, um ensinamento para a toda a vida. Como costumo dizer, aprende-se a amar sendo amado. Foram os Avós que nos ensinaram a amar. Experimentando, fomos aprendendo. Sem exigências, sem esperarem retorno, dedicaram-se aos netos e dedicaram-lhes todo o tempo que tiveram. Tempo precioso.
Tenho uma sorte tremenda. Há quase quatro décadas, nasceram, para mim, os Pais. Os Pais são competentes em tudo o que fazem, mas em nada são mais capazes do que nisto de serem pais. Foi sempre assim. Em sorrisos e lágrimas, em borboletas na barriga e brilho no olhar, é por eles que procuro quando olho em redor à procura de sorrisos para pousar o meu, de lágrimas para juntar às minhas, de borboletas para dançar na barriga e de luz para me guiar. Vamo-nos erguendo, sucessivamente, juntos. Agora, já mãe, os Pais nasceram também, como Avós, para os meus filhos. Estou tranquila porque sei que, daqui a uns trinta anos, o João e o Pedro saberão que têm uma sorte tremenda. Sei que reconhecerão o Amor onde quer que o vejam, porque sabem o que é. Estão a aprendê-lo.
Todos os dias,
todos os dias,
o Avô vem buscar os meninos para os levar à escola. Não é necessário, está sempre gente em casa, tenho um horário que me permite levá-los, com calma, a pé, sem confusão, sem pressas, sem nervos, todos os dias. Mas o Avô está cá sempre para os levar. Quer estar presente, quer fazer parte, quer construir memórias, quer dar colo. Com total abnegação. Não cobra de volta. Tem, mas não cobra. E tem porque está a desempenhar bem o seu papel de ensinador de Amor.
Quando eu era da idade dos meus filhos, o meu Avô também me ia levar à escola. Não era preciso.
Todos os dias,
todos os dias,
Os meus filhos têm uma sorte tremenda.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Tantos brinquedos, Pai Natal, e para quê? Afinal, nesta casa destila-se critatividade...
Mãe, gosto de brincar com os raios de sol a entrarem pela janela. Se agitar bem os braços, vê-se aquele pó todo no ar. Então, finjo que sou um gigante malvado e que aquelas partículas de pó são helicópteros da polícia que vou destruindo.
E ando eu feita parva a aspirar o cotão dos cantinhos. Aquilo passa bem por colunas de canhões, não?
Oh não! "Afinal quem é o adulto aqui?" - nova versão
Tínhamos acabado de jantar.
Precisas de ajuda com a louça, mãe?
Não, obrigada, Joãozinho.
Então posso ir jogar Playstation?
Podes, filhote.
À velocidade da luz, o João dirige-se para a sala. Do alto dos seus quatro anitos, o Pedro olha para mim com ar de desaprovação:
O miúdo está mesmo viciado, mamã.
Precisas de ajuda com a louça, mãe?
Não, obrigada, Joãozinho.
Então posso ir jogar Playstation?
Podes, filhote.
À velocidade da luz, o João dirige-se para a sala. Do alto dos seus quatro anitos, o Pedro olha para mim com ar de desaprovação:
O miúdo está mesmo viciado, mamã.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
domingo, 18 de dezembro de 2016
Mais um momento enternecedor entre irmãos
E então, Pedro, o patinho abraçou a patinha e disse-lhe Queres fazer ovinhos comigo?
Isto é Estudo do Meio a fazer maravilhas pelas crianças.
Isto é Estudo do Meio a fazer maravilhas pelas crianças.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Fui a uma sessão baseada na meditação mindfulness. Mas por que é que me meto nestas embrulhadas? Se há coisa que eu faço desde que me conheço é perder-me completamente nos meus pensamentos, no meu mundinho, quando estou a cozinhar ou a tratar da loiça, quando estou a tomar banho ou a lavar os dentes, quando estou a ouvir certas pessoas (if you know what I mean...). E até acho bastante saudável perder-me assim, nos meus pensamentos, são momentos meus, só meus, em que, preocupada ou não, não estou propriamente consciente do que se passa à minha volta e, assim, acabo por me concentrar apenas nas ideias que povoam a minha cabeça naquele instante. Ora, a maravilhosa sessão, na qual me ensinaram que é muito importante vivermos cada gesto, sentirmos cada objeto, apercebermo-nos de cada movimento de cada músculo do nosso corpo, deixou-me assim a modos que com vontade de dar um estalo a mim própria e ter consciência disso!
Agora respirem fundo e sintam a caneta na vossa mão.
Bonito, mas tenho tanto trabalho à minha espera que isto parece só muito parvo.
Continuem a respirar fundo e apercebam-se dos movimentos do vosso diafragma.
Pois, bonito outra vez, mas o movimento de ir embora daqui seria ainda mais espetacular.
Prestem agora atenção ao ar que entra no vosso nariz.
Está bem, mas eu queria era concentra-me no verbo sair.
Neste momento, foquem-se na expulsão do ar, imaginem cada partícula.
Ora f*da-se! Cada partícula? Mas isso vai demorar de caraças! Estou tão concentrada que acho que até estou a conseguir ouvir o tic-tac do relógio. Do relógio de uma bomba chamada eu.
Por falar em bomba, saí de lá e fui direta à da asma.
sábado, 26 de novembro de 2016
Aquela estratégia de cantarolar em momento de birra? Lixei-me.
Andei que tempos a gabar-me do sucesso desta ideia. Agora, sempre que me ouve um Atenção à brincadeira, Pedro! Olha que cais e fazes um galo!, o miúdo desata a cantar O nosso galo é bom cantor é bom cantor tem boa voz...
Sempre que lhe ralho com um É assim que se entrega a tesoura? Com o bico virado para fora?, atira-me com O meu chapéu tem três bicos tem três bicos o meu chapéu...
Sempre que lanço o meu olhar ameaçador acompanhado de um Ah!, ouço de volta Ah ah ah minha machadinha ah ah ah minha machadinha quem te pôs a mão sabendo que és minha?
Sempre que se pegam e chamo, com voa mais áspera, Pedro e João!, levo com uma versão singular de O balão do João sobe sobe sem parar está feliz o petiz...
Sempre que... sempre que... sempre. Bela ideia a minha.
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