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sábado, 24 de junho de 2017

Tem uma coisa boa o pai cá de casa - faz tudo para me ver satisfeita. Bem, tudo não, mas quase tudo. 
Peço-lhe que deixe a casa a arejar quando sair. Mas é para deixar tudo aberto? Sim, tudo, não te esqueças da lavandaria. Ok, até logo. Quando chego a casa, tenho a pasta de dentes aberta, a tampa ao lado: devia estar a arejar. As gavetas dos armários da cozinha abertas: estavam de certeza a arejar. A toalha em cima da mesa e a caneca do pequeno-almoço em cima do sofá: estava tudo a arejar. Sanitas, saco do lixo, máquina de lavar: a arejar também. 
Só é pena esquecer-se de abrir as janelas.
Quando era miúda, interessavam-me os livros e as suas narrativas. Depois cresci e achei que aquilo a que me dedicava profissionalmente era a minha melhor decisão e que tinha nascido para contar estórias. Não percebia nada disto de escolhas. O meu melhor papel é o de mãe, caramba.  É no que me sinto eu. Nada se compara a esta história, na qual não é o tempo que passa que nos acompanha, somos nós que tentamos acompanhá-lo, sentindo-o a escapar-se por entre colos e cantigas de embalar, depois entre as tradições que vamos criando nas nossas crianças, que se tornam, entretanto, adolescentes que renegam essas memórias, escondendo sorrisos de saudade no canto da boca. Sei-o agora com firmeza: nada faz de mim mais eu do que ser mãe.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Baralharam isto tudo e agora não sei onde tenho as coisas

Nem sempre consigo ver o copo meio cheio, apesar de até ser predominantemente otimista. Na maior parte das vezes, sempre que descubro algo sobre as pessoas que julgava conhecer bem, é mau. Ou então o meu julgamento não era acertado...
Mas, de vez em quando, lá me cruzo com alguém, frequentemente alguém com quem não volto a ter contacto, que reabilita a minha crença na bondade. Tem acontecido amiúde, especialmente em situações de aperto, que é, efetivamente, quando estamos mais dispostos a sentir o abraço alheio. E, nesses instantes, parece que ouço as roldanas do mundo a pô-lo de volta no sítio, a minha gratidão a empurrar a descrença com o cotovelo e a fé a fechar-lhe a porta do lado de dentro. Só com duas voltas à chave, claro.

domingo, 7 de maio de 2017

Eu estou bem! Eu estou bem!

Atualização deste post:
Enviei-me um email a lembrar a lista de afazeres para a semana. Assim que carrego no "enviar", o telemóvel dá sinal de chegada de novo email. Desabafo:
#%*☆-⊙♧!!!!! Já me estão a mandar mais emails?!?

A relojoaria cá de casa

Aqui, temos relógios muitos diferentes. O masculino é automático e parece ganhar corda com a MINHA atividade: só desperta quando já está tudo feito.

domingo, 19 de março de 2017

Tenho todo o gosto em explicar-vos o que é essa porra isso do slow parenting.
Compramos umas escovas dos dentes muito giras para o Pedro. A escova em si é um peixinho assustado e a tampa é um tubarão que o devora.
Pois então, slow parenting é isto mesmo: uma gaja a cair de sono, à espera que o filho escove os dentes em condições, enquanto o cabrão do tubarão come o palerma do peixinho a cada escovadela. Suficientemente slow, quer-me parecer.

domingo, 12 de março de 2017

O homem desta casa é assim como um tornado: por onde passa, vai deixando tudo fora do sítio. Ele é luzes acesas por todo o lado, ele é pastas dos dentes destapadas, ele é saco dos cereais sem mola, ele é gavetas abertas, ele é televisões ligadas, ele é portas por fechar. Eu sinto-me uma espécie de proteção civil. Mas tudo isto tem uma vantagem: é fácil encontrá-lo quando está escondido metido no clash royale - é só seguir-lhe o rasto de destruição.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A malta resolveu premiar o João pelas notas dos testes. Resultado?

- Então, filho, já recebeste os testes?
- Já.
- E que notas tiraste?
- 30 euros.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Hoje passamos num café/salão de jogos que tinha, à porta, o seguinte aviso:

PROIBIDO ATIRAR SETAS A MENORES DE 16 ANOS

Compreendo. A partir dos 16 têm mais agilidade para se desviarem.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Quando me quer despachar e evitar as perguntas de fim de dia de escola, o Pedro arma-se em Robinson Crusoé.

Então, filho, como foi o dia?
Bom.
Brincaste muito?
Sim.
O que comeste?
Sopa.
E mais?
Mais coisas.
E quem estava sentado ao teu lado?
Uma menina.
Como se chama essa menina?
Não sei.
Não sabes? Como não sabes?
Chama-se Quinta-feira... Já posso ir brincar?