Trago comigo uma grande preocupação: tal como quem tem animais de estimação e precisa agora de os levar consigo para onde quer que vá, ou para o hotel que os vai albergar, ou, sejamos francos, para casa dos pais, eu não sei o que fazer aos meus vasinhos das aromáticas. Se as deixo para trás, quando regressar, venho encontrar um matagal de palha. Quantos vasinhos caberão numa mala para transporte de gatos?
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Mensagem subliminar auditiva
Lembram-se daquela experiência com a mensagem subliminar da Coca-Cola de que ouvíamos falar na nossa infância? Pois, a partir de hoje, nenhum Vicary precisa de me convencer: estou certa de que estas coisas funcionam mesmo. Não há fraude. Primeiro, porque o meu estômago é mais rápido do que a minha perceção visual e não preciso que me convençam a beber Coca-Cola ou a comer pipocas seja em que momento for. Depois, porque hoje vivi uma experiência do género, mas ao nível da perceção auditiva. Nota mental em jeito de conclusão - não voltar a descarregar aleatoriamente um qualquer conjunto de músicas para acompanhar o meu exercício físico.
Está calor. Não dormi em condições. Saio de casa já cansada, mas com muita necessidade vontade de correr. O ar abafado bate-me na cara e vai-me bofeteando a cada passada. Inicia a música. Não conhecia, mas o ritmo é promissor para acelerar na subida ali à frente. Trata-se de Primeira Dama de David Carreira que começa assim, mesmo no início da subida: Estou a ficar sem ar / Custa respirar. Foi neste segundo verso que desliguei o telemóvel. E voltei para casa. Estou no sofá a tentar recuperar.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Como mostrar maturidade quando se tem quase quarenta anos
Recentemente tive que tomar uma decisão, a meu ver, importantíssima para o meu futuro e para o da minha família. (Agora quem rabiscou a porra desta cena a que chamamos vida deve estar a soltar umas belas gargalhadas, que a decisão não era aSSIM tão importante, mas quando é para dramatizar, dramatizo, mas dramatizo em condições!...).
Estava a ser bastante difícil chegar a uma conclusão, o caminho era especialmente bifurcado, portanto, no limite do tempo que tinha para me atirar de cabeça a uma das estradecas, fui ao youtube afirmando que o primeiro vídeo que me aparecesse ia ajudar-me a decidir. Eis quando vejo o famoso trecho do Cristiano Ronaldo (toca a guardar as chuteiras, Gustavo Santos - there's a new guru in town). Foquei a minha atenção no "Tu bates bem! Se perdermos que se foda!" e escolhi o caminho mais difícil. Se perder, que se foda.
Isto é sim é maturidade.
Não deixes para amanhã (vê-se logo que é falta de vontade)
(Plano unicorniano)
- Amanhã, como os miúdos vão dormir aos avós, podíamos acordar cedo, íamos correr juntos, tomávamos o pequeno-almoço nas calmas...
- Parece-me muito bem.
(Realidade)
- Isto foi a campainha? Quem será? Que horas são?
- Está tudo bem? Tens umas dez chamadas não atendidas no telemóvel. Fartámo-nos de ligar; como ninguém atendeu, viemos trazer os miúdos. Estávamos preocupados: já é meio-dia!
- Amanhã, como os miúdos vão dormir aos avós, podíamos acordar cedo, íamos correr juntos, tomávamos o pequeno-almoço nas calmas...
- Parece-me muito bem.
(Realidade)
- Isto foi a campainha? Quem será? Que horas são?
- Está tudo bem? Tens umas dez chamadas não atendidas no telemóvel. Fartámo-nos de ligar; como ninguém atendeu, viemos trazer os miúdos. Estávamos preocupados: já é meio-dia!
sábado, 22 de julho de 2017
Silly season (que já se arrasta há uns tempos) #1
Como é que espetar com hansaplasts em quatro dedos de cada mão é melhor do que mostrar unhas sem verniz?
quinta-feira, 20 de julho de 2017
O Pequeno Geekzinho
Ter cinco anos, chegar finalmente a casa, depois de um dia cheio, e dizer Ahhh! Chegamos a Tatooine! ou apanhar a mãe com o tau e atirar para o lado Hoje a mãe está com cara de Darth Maul mostra-me que estamos a fazer um bom trabalho com estes miúdos. :)
sábado, 24 de junho de 2017
Tem uma coisa boa o pai cá de casa - faz tudo para me ver satisfeita. Bem, tudo não, mas quase tudo.
Peço-lhe que deixe a casa a arejar quando sair. Mas é para deixar tudo aberto? Sim, tudo, não te esqueças da lavandaria. Ok, até logo. Quando chego a casa, tenho a pasta de dentes aberta, a tampa ao lado: devia estar a arejar. As gavetas dos armários da cozinha abertas: estavam de certeza a arejar. A toalha em cima da mesa e a caneca do pequeno-almoço em cima do sofá: estava tudo a arejar. Sanitas, saco do lixo, máquina de lavar: a arejar também.
Só é pena esquecer-se de abrir as janelas.
Quando era miúda, interessavam-me os livros e as suas narrativas. Depois cresci e achei que aquilo a que me dedicava profissionalmente era a minha melhor decisão e que tinha nascido para contar estórias. Não percebia nada disto de escolhas. O meu melhor papel é o de mãe, caramba. É no que me sinto eu. Nada se compara a esta história, na qual não é o tempo que passa que nos acompanha, somos nós que tentamos acompanhá-lo, sentindo-o a escapar-se por entre colos e cantigas de embalar, depois entre as tradições que vamos criando nas nossas crianças, que se tornam, entretanto, adolescentes que renegam essas memórias, escondendo sorrisos de saudade no canto da boca. Sei-o agora com firmeza: nada faz de mim mais eu do que ser mãe.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Baralharam isto tudo e agora não sei onde tenho as coisas
Nem sempre consigo ver o copo meio cheio, apesar de até ser predominantemente otimista. Na maior parte das vezes, sempre que descubro algo sobre as pessoas que julgava conhecer bem, é mau. Ou então o meu julgamento não era acertado...
Mas, de vez em quando, lá me cruzo com alguém, frequentemente alguém com quem não volto a ter contacto, que reabilita a minha crença na bondade. Tem acontecido amiúde, especialmente em situações de aperto, que é, efetivamente, quando estamos mais dispostos a sentir o abraço alheio. E, nesses instantes, parece que ouço as roldanas do mundo a pô-lo de volta no sítio, a minha gratidão a empurrar a descrença com o cotovelo e a fé a fechar-lhe a porta do lado de dentro. Só com duas voltas à chave, claro.
Mas, de vez em quando, lá me cruzo com alguém, frequentemente alguém com quem não volto a ter contacto, que reabilita a minha crença na bondade. Tem acontecido amiúde, especialmente em situações de aperto, que é, efetivamente, quando estamos mais dispostos a sentir o abraço alheio. E, nesses instantes, parece que ouço as roldanas do mundo a pô-lo de volta no sítio, a minha gratidão a empurrar a descrença com o cotovelo e a fé a fechar-lhe a porta do lado de dentro. Só com duas voltas à chave, claro.
domingo, 7 de maio de 2017
Eu estou bem! Eu estou bem!
Atualização deste post:
Enviei-me um email a lembrar a lista de afazeres para a semana. Assim que carrego no "enviar", o telemóvel dá sinal de chegada de novo email. Desabafo:
#%*☆-⊙♧!!!!! Já me estão a mandar mais emails?!?
Enviei-me um email a lembrar a lista de afazeres para a semana. Assim que carrego no "enviar", o telemóvel dá sinal de chegada de novo email. Desabafo:
#%*☆-⊙♧!!!!! Já me estão a mandar mais emails?!?
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