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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Pensar alto

Hoje, no supermercado, na fila para pagar, estava um tipo à minha frente que levava: uma garrafa de gin, outra de vodka, uma caixa de preservativos e 4 ou 5 pepinos. À medida que os ia tirando do cesto, a senhora da caixa ia arregalando os olhos e um sorriso maroto tentava escapar-se-lhe pelo canto da boca. Mas foi à cliente que estava atrás dele que saiu um Vai haver festa! mais alto do que pretendia.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Corretor ortográfico natalício

Todos os anos envio beijinhos com cheirinho a rabanadas nas mensagens de Natal. 
Hoje achei que já chegava e resolvi mandar xi-corações com cheirinho a canela. Correu mal: o corretor resolveu transformar as minhas palavras e a pressa não me permitiu aperceber-me antes de enviar. 
Assim, a todos @s amig@s a quem enviei "xi-corações com cheirinho a cadela", as minhas desculpas. 
Quer dizer, na verdade e bem vistas as coisas, o bacalhau convida a um bom tinto, não é verdade?
Para o ano, envio abracinhos com aroma a pinhões. Vamos ver como corre.
Feliz Natal!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Conheço três tipos de pessoas no que toca a lidar com o frio: há gente que está sempre quente, há os friorentos e, depois, existo eu. 
Os primeiros são os que gostam de entrar numa cama fresquinha, "porque lhes sabe bem". É vê-los esfregarem-se languidamente nos lençóis como se estivessem a fazer anjinhos na neve. 
Os segundos são os adeptos das botijas: enfiam-nas na cama duas horas antes de se deitarem para garantirem que, quando lá chegam, não se arrepiam até ao tutano, ou andam com elas para todo o lado, o que inclui as idas ao WC. 
Eu... bem... um dia destes cheguei a casa com os pés tão gelados que, quando me descalcei e os pousei na tijoleira, senti que estavam, finalmente, a ficar mais quentinhos.

domingo, 26 de novembro de 2017

Todos conhecemos pessoas que adormecem a meio de filmes.  
Também as há (e cada vez mais) capazes de adormecer quando ainda nem apareceu o nome do artistinha principal. 
Sugiro agora a criação do grupo de malta que adormece enquanto escolhe o filme que vai ver. 
 
Não que saiba alguma coisa sobre isso. Cof cof...




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Note to self

Há obras na fachada do prédio. Não ir buscar roupa ao estendal depois de tirar o pijama.  Não ir buscar roupa ao estendal depois de tirar o pijama.  Não ir buscar roupa ao estendal depois de tirar o pijama.  Não ir buscar roupa ao estendal depois de tirar o pijama. 

O estendal está na lavandaria. 
O andaime também.
Constrangedor.


sábado, 11 de novembro de 2017

As minhas amigas dizem que tenho opiniões fortes sobre isto. Deve ser dos exercícios de Kegel.

Até me custa escrever sobre isto. Quem, daqui a milhares de anos, andar a escarafunchar nas nossas coisas, se descobrir estes rascunhos ranhosos, há de datá-los erradamente.

Ao longo desta semana, por motivos vários, a conversa acabou por ir dar, de uma maneira ou de outra, às obrigações de cada elemento de um casal. Comentávamos que hoje em dia já ninguém almoça em casa, que a única refeição em família é o jantar e que os nossos homens, chegados a casa mais cedo do que o habitual, comiam qualquer coisita, caso não houvesse restos do dia anterior. A mim também já aconteceu comer uma malga de cereais refastelada no sofá por não me apetecer cozinhar, descongelar, aquecer ou encomendar o almoço. Não me fez mal. Não me fez bem. Mas que bem que me soube! Agora, todos os dias? 

Eu gosto de apaparicar, gosto de dar colo. Acho sempre que o melhor que posso dar de mim é mimo. Mas também acho que porra caraças. Eu não cozinho com a vagina. Uso as mãos: dá-me mais jeito. Ora, o que me distingue do meu homem é o facto de eu ter vagina e ele não. Assim sendo, ele pode usar as mãos dele para preparar qualquer coisa para o almoço dele. Do mesmo modo, cá em casa cada um trata das suas coisas. É sabido que sou uma mãe-galinha. Adoro os meus filhos, por isso são eles que fazem a sua cama. Quero o melhor para os meus filhos, por isso são eles põem a sua roupa para lavar no cesto. Ser mãe é o que mais me satisfaz e é a maior responsabilidade que tenho, por isso são os miúdos que arrumam as suas coisas. 

Ainda assim, sinto que a maior parte das coisas está nas minhas costas, mas pelo menos sei que estão a preparar-se para se sentirem capazes rapazes. Não sou eu que os preparo, são eles próprios.

Claro que, pensando bem, o ideal era que fossem os homens cá de casa a cumprir as minhas tarefas também, enquanto mando abaixo, esparramada no sofá, mais uma tigela de cereais ;)



domingo, 24 de setembro de 2017

Como ser uma mãe palerminha em três passos

Passo 1
- Não achas que está na altura de conversarmos com o miúdo sobre isto do Pai Natal? Se calhar já está mais do que na idade...
- É melhor, é, antes que saiba por outros ou que faça figurinhas.

Passo 2
- Senta-te aqui ao pé de mim, filho. Vamos conversar.
- Ui! Vem aí coisa. É boa ou má notícia?
- Nem boa nem má. Só queremos falar contigo.

Passo 3
- Sabes, é que queremos contar-te uma coisa.
- O quê?
- O Pai Natal não existe.
(pausa para suspirar de alívio)
- Ah, bom! Pensei que íamos falar sobre relações sexuais! Era só isso? Já posso ir?


sábado, 5 de agosto de 2017

Ando embevecida a ver estes dois irmãos e a forma como lidam diariamente um com o outro. No aniversário, o Pedro quis, como prenda, uma bicicleta nova para o mano. Agora andamos a sondar o João para sabermos se acertamos no que ali está escondido. Parece que vamos ter que guardar aquilo para mais tarde: pediu uma prenda para o irmão. 
Mundo, não estás preparado para estes dois meninos que em ti pusemos.
Ainda estou a limpar as lágrimas. Chorei de tanto me rir. 
Os miúdos estavam a ligar o computador quando apareceu uma nova imagem no ecrã.
João - Olha, mãe, a tua imagem de utilizador é um lindo farol no cimo de um rochedo a orientar os barquinhos lá ao fundo. 
Pedro - Vamos ver qual é a tua mano? E a minha também!
João - Que gira! A minha é uma paisagem do campo!
Pedro - Ah! A minha é uma montanha na primavera! Falta a do pai. Vamos ver!

Aparece, em primeiro plano, agarrado ao tronco de uma árvore, com olhos de quem acabou agora o turno, um preguiça bonacheirão.

João e Pedro (em uníssono) - Um preguiça! Faz todo o sentido!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Instalar um sistema de rega automática na varanda é capaz de ser coisa que não agrade aos vizinhos e muito menos a quem vá a passar.

Trago comigo uma grande preocupação: tal como quem tem animais de estimação e precisa agora de os levar consigo para onde quer que vá, ou para o hotel que os vai albergar, ou, sejamos francos, para casa dos pais, eu não sei o que fazer aos meus vasinhos das aromáticas. Se as deixo para trás, quando regressar, venho encontrar um matagal de palha. Quantos vasinhos caberão numa mala para transporte de gatos?