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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Pepperoni extra


Normalmente trato o João por meu amor. Parece-me conveniente. O que não é de todo conveniente é pegar no telefone para encomendar pizza, continuar a brincar com o pirata, atenderem do outro lado, não me aperceber e continuar com um lânguido "O que é que tu queres, meu amor? Diz lá o que é que tu queres, meu amor!" e responderem do outro lado "Mas a senhora é que tem que dizer o que é quer!" 

Isto dá um novo sentido à promoção quartas-feiras loucas!


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Esta noite vi uma estrela cadente. Nunca me tinha acontecido.

Diz-se que devemos pedir um desejo, mas não tive tempo de o formular: uma série de caras assomaram-se-me ao pensamento.

Não desejei nada em particular e posso não voltar a ver uma estrela cadente. Mas confirmei aquilo que sempre desejei.

Acho que um dos meus maiores medos é esquecer-me. Se calhar porque tenho tendência a apagar a mais, mas a verdade é que, mesmo escondidos, os meus desejos estão cá. Nem que só os consiga ver quando cai uma estrela.

sábado, 31 de dezembro de 2011


Continuo, todos os anos, neste dia, a sentir o vento na cara, a vibração no estômago, o cheiro do rícino do escape, a mesma emoção de sempre.


domingo, 11 de dezembro de 2011

Quais rankings quais quê?

Como avaliar o melhor sistema de ensino ?

Como explicas o aumento de população em Portugal na segunda metade do século XIX?

"Entruduçam de macinas e aduvos címicos na agricoltora."

(cotação completa: a informação pedida está lá, bem como o uso perfeito da preposição, da conjunção e da contração. Atenção ao pormenor do ponto final!)

A que se deve a crise económica que atravessava o nosso país em meados desse século?

"Porcau-sa da rebulusão fransesa"

(cotação completa mais uma vez: informação? check! apesar da falta de pontuação, há que dar valor ao uso (indevido?não importa!) da anáfora não correferencial em tão terna idade!

Fosga-se que estes putos sabem de carago!! Assim vale a pena!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Lição #1 das aulas a adultos

Quando temos uma ficha de trabalho sobre os tipos e formas de frase elaborada para crianças e queremos transformá-la devidamente para adultos, substituindo "Coloca as seguintes frases na forma afirmativa" por "coloque as seguintes frases na forma afirmativa", convém apagarmos realmente o ca depois do que ou corremos o risco de passar uma grande vergonha...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A vista daqui às 6 da manhã

O vizinho da frente esqueceu-se da luz da varanda acesa. Fere-me a esta hora, a tremelicar assim. Não há mais vida para além da sua hesitação. A rua está vazia. Não há reflexos nos vidros. Não cai uma gota dos telhados. Há apenas alguns carros à espera, outros abandonados. As janelas fechadas, algumas esquecidas abertas. Nem um gato, nem um pássaro. Estão todos escondidos. Não devem gostar desta sensação de vida suspensa. Até as árvores, normalmente em rebuliço, estão paradas. Os candeeiros rompem do chão, estáticos, acesos aqui e ali. Mas nem reparo nesses. Vejo os que a Câmara mandou desligar. Sinal dos tempos. Ouve-se um carro, ao longe, mas nem o som se aproxima. O seu destino não passa por aqui. Ninguém aparece, nada se mexe.
Devia ir para a cama. Devia escrever voltar para cama, mas não: é mesmo ir para lá. Afinal, daqui a a nada, começa o movimento e tudo isto deixa de ter encanto. Custa-me é perder a aurora.

sábado, 12 de novembro de 2011

Terra molhada


Vim à varanda recolher a roupa. Um vento quente que não esperava fez-me levantar o cabelo de um lado para o outro num movimento incessante daqueles que nos parecem levar para outro sítio que não conhecemos.
Apanhou-me desprevenida esta lestada persistente, que teima em me pairar sobre a pele. Penso que é isso o arrepio perfeito: aquele que nos faz levitar por dentro com os pés agrafados ao chão.
O arrepio que senti à primeira pancada do vento na minha cara levou-me a querer ficar mais um pouco. E sentir o cheiro a está quase a chover. Adoro este cheiro. Faz-me voltar a outros locais e momentos que nem sei bem quais são. É o cheiro anterior àquele de que todos falam, por acharem piada à terra molhada depois de não chover há muito tempo. Prefiro o que vem antes desse. O da promessa. Da expectativa.

Aguardo os primeiros pingos de braços estendidos para fora da varanda. E cai um. Depois outro. Param. Oh! Parecia que ia chover!

E chove. Quando já não a esperava outra vez, a chuva cai com uma violência impressionante. O vento parece perder a fibra com que me recebeu há bocado. É um triste. Fugir por causa de uma chuvinha destas!

E daí... já estou um pouco molhada e agora o arrepio já não é tão estimulante e deixou de me isolar do mundo cá dentro. Sinto genuinamente que me perco de mim quando os meus poros se contraem assim. Vou para dentro antes que estrague o computador.

Sou uma triste! Fugir de uma chuvinha destas...



Raios! Deixei lá a roupa!


sábado, 29 de outubro de 2011

midautumn's night dream

Quando era miúda, vivia numa casa rodeada de árvores, ao lado de uma quinta. Era um ambiente bucólico durante o dia, assustador à noite. E havia um sonho que me acompanhava a partir do dia em que a hora mudava e às 5 da tarde já era de noite: tentava ir da porta de casa até ao portão e vir, sem companhia, sem luz e sem me borrar toda. A meio da viagem para cá, já com aquela sensação do falta-pouco-é-só-mais-um-bocadinho, aparecia uma bruxa, muito engelhada, com uns olhos assustadoramente penetrantes. Enquanto eu corria, corria e parecia não sair do sítio, a velhota era cá com cada sprint! As unhas negras e quebradas arranhavam-me a camisola atrás e eu corria mais depressa e parecia que escorregava. Ainda me lembro do alívio que sentia quando finalmente passava a porta da cozinha acordava.
Hoje é dia delas. Já sei que vou passar a noite a correr. Gostava que me deixassem dormir. Estou cansada. Mas não creio que o façam. As bruxas são, como acabo de ler num teste, muito enconchientes.


domingo, 25 de setembro de 2011

Tenho que arranjar um cãozinho

Hoje acordei tarde! Quando cheguei à varanda já tinha começado o ritual das vizinhas cá da rua no passeio matinal com os respetivos cãezinhos. Já se ouvia a mangueira do administrador do condomínio da frente, que, cumpridor do seu dever, rega as plantas todos os santos domingos.
A dada altura as vizinhas escancaram a boca, especadas a olhar para cima.
Afinal o barulho da mangueira não era do administrador, mas de um morador que, de uma varanda do 4º andar, lavava o carro lá em baixo. Regava-o lá de cima e depois descia as escadas a correr para ensaboar o veículo. Voltava lá para cima e enxaguava. Descia novamente e esfregava mais um pouco. E andou nisto o resto da manhã. Eu também gostava de ter uma moradia, com vários hectares de quintal. Mas até lavo o carro de outra forma.

Tenho mesmo que arranjar um cão. Desconfio que ando a perder umas coisitas por não ter animais que cagam na rua.
O céu está carregado. Tenho que me despachar. Saio da frutaria carregada de sacas carregadas de fruta. Passo apressado, não vou aguentar até casa sem pousar isto tudo no chão. Só mais um bocadinho, só mais um bocadinho!... Ai ai ai... Mas tenho que aguentar! Não vou pousar isto no chão imundo! Ai ai ai... Tenho que me concentrar, a dor nas mãos e nos braços é só psicológica! Os dedos não estão inchados, nem os braços a ceder ao peso. Ai ai ai...
Cruzo-me com uma velhinha mesmo ao virar da esquina da minha rua. Arrasta-se com um saquito que não deve ter mais do que dois pães. Na mão traz o talão das compras, que lhe voa com uma rajadazita de nada.
Lá pouso as sacas no chão (pegajoso e cheio de nódoas), apanho o talão e entrego-lho, coitada, que não se pode agachar.

- Ah, minha querida, não quero isso para nada. Fui eu que o deitei fora. Já agora faz-me o favor de o pores no lixo e que Deus te pague quando quinares!



Hein?!?