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quinta-feira, 23 de junho de 2011

São João

Quando era miúda, íamos para o actual recinto onde se faz a feira do artesanato em vila do conde levar marteladas na tola e comer algodão doce. Sempre que me lembro disto, vem-me aquele sabor cor-de-rosa à boca e parece que fico com as mãos pegajosas. Acho que nunca me conseguiram acertar com a parte fofa do martelo e aquilo dói que é doer! Mas lá estávamos, ano após ano, a percorrer os caminhos em terra vermelha partidos a meio por bancos de jardim em ferro pousados nas fatias de relva.

Também havia pipocas coloridas! Mas o algodão doce...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia da Criança




As fugas para a bouça de onde voltávamos com ratazanas enormes agarradas pela cauda para assustar as vizinhas;
O calipo de coca-cola a escorregar pelos dedos enrugados de tardes inteiras a apanhar ondas no mar;
Mil e uma mãos dentro do alguidar carregado de pardais fritos;
O verde sem-fim da quinta de beiriz a espreitar-me pela janela do quarto;
As mangueiradas de alívio durante a madrugada na Idanha, logo depois de uma história de terror contada debaixo dos lençóis com a lanterna sem pilhas;
Esparguete e ovo estrelado quando não apetecia comer;
As rãs esturricadas nas tampas de saneamento do rosmaninhal às 4 da tarde;
O taz, o bip bip, o coiote e speedy na tv galicia.
Sacar as chaves do carro às escondidas e ir dar uma volta curta.
Os risos.
Os murros no estômago só para ver se dói muito.
Os bilhetes de desculpas por baixo da porta do quarto.
Os sonhos.
Os planos.
As certezas.





segunda-feira, 16 de maio de 2011

Apesar de ser uma invasão (ainda que não identifique os intervenientes), não podia deixar de vir aqui guardar, neste meu baú de memórias, a cena romântica mais enternecedora a que já assisti.
Lembro-me (razoavelmente) bem de como me sentia de coração partido nos meus idos teens. E agora, apesar da carapaça racional endurecida pelo tempo (cof cof), estes momentos continuam a deixar-me de lágrimas ao canto do olho/a escorrer-me pela cara abaixo.
Na semana que passou, partiram o coração a um dos meus miúdos. Passou a aula inteirinha a chorar (ora cá está mais uma desvantagem das aulas de 90 minutos! É tempo a mais para um coração despedaçado se lamentar): cabisbaixo, chorava baixinho, como se miasse. Acabou por deixar de fazer barulho, não fosse incomodar os colegas, e recusou cada convite para sair da sala e "ir apanhar ar". Foi chorando, até que olhou para cima, limpou os olhos e pediu para ir lavar a cara. Chorar assim, na frente de todos os colegas, não deve ser fácil. Enquanto esteve fora, passei pela cadeira vazia. Em frente, no caderno, abrira-se uma cratera. Mesmo no centro das folhas. Caíram-lhe tantas lágrimas que o papel se desfez. Senti um calafrio. Não comentei. Todos viram. Ninguém disse nada. Arrancaram-lhe as folhas quebradas pelo buraco e deixaram o caderno no sítio. Ninguém disse mais nada sobre o assunto e, quando tocou, saíram todos da sala com os olhos vermelhos. Eu também.

domingo, 8 de maio de 2011


Cara Enjoadaopasseioétodomeuquefoiopapáqueomandoupôraqui,

Da próxima vez que passares por mim, volta a olhar-me de alto a baixo com desdém, mas, por favor, certifica-te de que tiraste a etiqueta do preço da sola dos sapatos e escusas de ouvir uma gargalhada insistente na nuca. Desviar-me no passeio para TU passares à vontade? Então não, coração?

Lembro-me de, quando era miúda, esperar por Março para ver as campainhas amarelas que se apoderavam dos vasos lá em casa. Gostava da invasão de cor, mas achava ainda mais piada ao facto de ser uma imagem tão transitória.

Lembro-me de, quando era miúda, escrever o meu nome no cimento fresco e de me desviar para ir calcar a gravação que tinha feito quatro ruas abaixo. Achava graça àquela permanência.

Ainda hoje sou assim. Vejo beleza em tudo. É possível que me encontre no efémero. É possível que realize no eterno. É possível que não regule bem...

sábado, 9 de abril de 2011

Amor de Mãe é



Qual parte do meio das torradas qual quê? Hoje tive que me contentar com um mini milk enquanto o João devorava o meu Magnum delicioso...

domingo, 3 de abril de 2011

Tempos Modernos

Hoje prometi a mim mesma, quando acordei, que ia mimar-me um pouco. Sou uma mocinha que se contenta com pouco: duas bolas de gelado, chocolate quente e chantilly chegam para me deixar bem disposta! Ora, enquanto mandava abaixo o meu crepe preferido, dei por mim a apreciar um casal com 3 filhos: um devia ter cerca de 4 anos, outra por volta dos 2 e o mais novo menos de 6 meses. Depois de tirar o bebé do carrinho, a mãe arrancou-lhe a chupeta da boca e pousou-a em cima da mesa virada para baixo, o que me fez lembrar um texto que circulou pela net há uns tempos e estive a revê-lo mentalmente.

«Diferenças entre o primeiro, o segundo e o terceiro filho:

O primeiro filho sempre tem tudo documentado, filmado, fotografado. (check!)

As mães guardam os primeiros fios de cabelo e até o cordão umbilical. (check!)

O segundo já não tem tantas recordações e o terceiro não sabe sequer como foi parar àquela família!

As diferenças básicas entre os 3 primeiros filhos:

O que vestir

1º bebé – A mãe começa a usar roupas para grávidas assim que o exame dá positivo (check!)

2º bebé – A mãe usa as roupas normais o máximo que puder

3º bebé – As roupas para grávidas SÃO as suas roupas normais

Preparação para o nascimento

1º bebé – A mãe faz exercícios de respiração religiosamente (check!)

2º bebé – A mãe não se preocupa com os exercícios de respiração: afinal lembra-se que, da última vez, eles não funcionaram

3º bebé – A mãe pede a epidural no oitavo mês

O armário

1º bebé – A mãe lava a roupa que compra para o bebé, arruma tudo de acordo com as cores e dobra-a delicadamente dentro da gaveta (check! embrulhada num lençol)

2º bebé – A mãe vê se as roupas estão limpas e só descarta aquelas com manchas escuras

3º bebé – Os meninos podem usar cor-de-rosa, não é?

Preocupações

1º bebé – Ao menor resmungo do bebé, a mãe vai a correr para pegar nele ao colo (check! depois de ter estado alerta durante duas horas a ver se o bebé chorava)

2º bebé – A mãe pega no bebé ao colo quando os seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho

3º bebé – A mãe ensina o mais velho a dar corda ao mobile do berço

A chupeta

1º bebé – Se a chupeta cair ao chão, a mãe guarda-a até chegar a casa e fervê-la (check! se estiver já em casa, a mãe guarda-a até chegar à cozinha e ferver as 200 chupetas que o miúdo já atirou ao chão durante a manhã)

2º bebé – Se a chupeta cair ao chão, a mãe lava-a e devolve-a ao bebé

3º bebé – Se a chupeta cair ao chão, já o mais velho está treinado a apanhá-la e a pô-la na boca do bebé

Troca de fraldas

1º bebé – A mãe troca as fraldas de hora em hora, mesmo se elas estiverem limpas (check! Gastam-se muitas fraldas com um bebé pequenino! e quando caem ao chão ainda por usar??)

2º bebé – A mãe troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário

3º bebé – A mãe tenta trocar a fralda antes que as outras crianças reclamem do mau cheiro

Actividades

1º bebé – A mãe leva o filhote às aulas de música para bebés, teatro, massagens, … (check!)

2º bebé – A mãe leva o seu filho a aulas de música para bebés

3º bebé – A mãe leva o filho ao supermercado, à padaria…

Saídas

1º bebé – A primeira vez que sai sem o filho, a mãe liga cinco vezes para casa para saber se ele está bem (check! cinco?! só?!)

2º bebé – Quando abre a porta para sair, a mãe lembra-se de deixar o número de telefone de onde vai estar

3º bebé – A mãe dá ordens para só lhe telefonarem se virem sangue

Em casa

1º bebé – A mãe passa grande parte do dia só a olhar para o bebé (check! do dia e da noite)

2º bebé – A mãe passa algum tempo a olhar para as crianças só para ter certeza que o mais velho não está a bater no bebé

3º bebé – A mãe passa bastante tempo a esconder-se das crianças»

Quando acordei da minha divagação, o João tinha acabado de comer o meu Chaplin. As facas da Maison des Crepes são bastante boas! Rapam pratos que é um mimo!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

A vida é um jogo


Perdi horas e horas da minha vida em jogos. Primeiro, o quem é quem e o risco. Depois, e porque há que evoluir do tabuleiro para o mundo da microcomputação, veio o space invaders do Spectrum. Ho-ras! Logo de seguida, o prehistorik2 levou-me muitas noites de sono. Já para não falar da serpente do Nokia 3210, à espera que os filmes começassem no cinema. Claro que o bubbles é transversal! Sou gaja! Assumida!!

Ontem fui inscrever o João na escola. Pela quantidade de carros que entupiam a passagem a partir das 18h, estou a ver que vou voltar ao tetris...





quarta-feira, 9 de março de 2011

Mãe

Tenho andado a visitar escolinhas para o sr Pirata. Hoje fui ver mais uma. Estive cerca de 10 minutos no átrio, de onde ouvia a senhora que estava na recepção. Fez-me pena, coitada! Tem uma mãe tããããão chata! De 2 em 2 minutos telefonava-lhe e, cheia de paciência, lá lhe dizia

Boa tarde, mãe! Não, não o Gonçalinho ainda não acordou!

Olá, mãe! Ainda não chegaram da piscina. Tente novamente daqui a 10 minutos!

Então, mãe! Como está? Sim, já pode vir buscar a pequenota!

Porra! Que melga! Só não entendo é por que é a mãe daquela senhora tão simpática liga a perguntar pelos miúdos todos da escola!!




Na verdade, daqui a uns tempos, vai saber muito bem ouvir este mãe do outro lado do telefone.


Embora eu não me importe de lhe dar o meu nome verdadeiro...

domingo, 6 de março de 2011

Dias felizes

Há dias em que percebemos que as alegrias da vida se expandem enquanto entendermos que assim deve ser. Hoje foi um desses dias.
O meu passeio da manhã foi profícuo nesta matéria: em frente ao estádio, num parque infantil renovado, dois putos disputavam o último balouço e, engalfinhados à chapada, faziam as alegrias dos papás, que, alapados nos banquinhos, gritavam ao longe a melhor forma de espetarem ganchos um ao outro.
Logo à frente, vi numa loja um bibelô porreiro para enfeitar um naperon que tenho cá em casa e resolvi entrar. Esperei pacientemente na fila, tentando entreter uma criança de 2 anos e meio, enquanto uma família de chamemos-lhes nómadas largava 512 € (o valor do RSI depende do número de elementos do agregado, certo?) em bugigangas.
Virei logo ali na Vasco da Gama, cortando o caminho para casa.
O passeio foi longo, mas aguentei as dores nas pernas e ainda entrei numa corrida com um velhinho. Corrida que salvou o dia e que ganhei, pouco mais à frente, na montra de um quiosque, quando os olhos do simpático senhor lhe puxaram pelos braços, impedindo-o de continuar e, agarrados à bengala, se pespegaram às maminhas da capa da penthouse.