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domingo, 3 de abril de 2011

Tempos Modernos

Hoje prometi a mim mesma, quando acordei, que ia mimar-me um pouco. Sou uma mocinha que se contenta com pouco: duas bolas de gelado, chocolate quente e chantilly chegam para me deixar bem disposta! Ora, enquanto mandava abaixo o meu crepe preferido, dei por mim a apreciar um casal com 3 filhos: um devia ter cerca de 4 anos, outra por volta dos 2 e o mais novo menos de 6 meses. Depois de tirar o bebé do carrinho, a mãe arrancou-lhe a chupeta da boca e pousou-a em cima da mesa virada para baixo, o que me fez lembrar um texto que circulou pela net há uns tempos e estive a revê-lo mentalmente.

«Diferenças entre o primeiro, o segundo e o terceiro filho:

O primeiro filho sempre tem tudo documentado, filmado, fotografado. (check!)

As mães guardam os primeiros fios de cabelo e até o cordão umbilical. (check!)

O segundo já não tem tantas recordações e o terceiro não sabe sequer como foi parar àquela família!

As diferenças básicas entre os 3 primeiros filhos:

O que vestir

1º bebé – A mãe começa a usar roupas para grávidas assim que o exame dá positivo (check!)

2º bebé – A mãe usa as roupas normais o máximo que puder

3º bebé – As roupas para grávidas SÃO as suas roupas normais

Preparação para o nascimento

1º bebé – A mãe faz exercícios de respiração religiosamente (check!)

2º bebé – A mãe não se preocupa com os exercícios de respiração: afinal lembra-se que, da última vez, eles não funcionaram

3º bebé – A mãe pede a epidural no oitavo mês

O armário

1º bebé – A mãe lava a roupa que compra para o bebé, arruma tudo de acordo com as cores e dobra-a delicadamente dentro da gaveta (check! embrulhada num lençol)

2º bebé – A mãe vê se as roupas estão limpas e só descarta aquelas com manchas escuras

3º bebé – Os meninos podem usar cor-de-rosa, não é?

Preocupações

1º bebé – Ao menor resmungo do bebé, a mãe vai a correr para pegar nele ao colo (check! depois de ter estado alerta durante duas horas a ver se o bebé chorava)

2º bebé – A mãe pega no bebé ao colo quando os seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho

3º bebé – A mãe ensina o mais velho a dar corda ao mobile do berço

A chupeta

1º bebé – Se a chupeta cair ao chão, a mãe guarda-a até chegar a casa e fervê-la (check! se estiver já em casa, a mãe guarda-a até chegar à cozinha e ferver as 200 chupetas que o miúdo já atirou ao chão durante a manhã)

2º bebé – Se a chupeta cair ao chão, a mãe lava-a e devolve-a ao bebé

3º bebé – Se a chupeta cair ao chão, já o mais velho está treinado a apanhá-la e a pô-la na boca do bebé

Troca de fraldas

1º bebé – A mãe troca as fraldas de hora em hora, mesmo se elas estiverem limpas (check! Gastam-se muitas fraldas com um bebé pequenino! e quando caem ao chão ainda por usar??)

2º bebé – A mãe troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário

3º bebé – A mãe tenta trocar a fralda antes que as outras crianças reclamem do mau cheiro

Actividades

1º bebé – A mãe leva o filhote às aulas de música para bebés, teatro, massagens, … (check!)

2º bebé – A mãe leva o seu filho a aulas de música para bebés

3º bebé – A mãe leva o filho ao supermercado, à padaria…

Saídas

1º bebé – A primeira vez que sai sem o filho, a mãe liga cinco vezes para casa para saber se ele está bem (check! cinco?! só?!)

2º bebé – Quando abre a porta para sair, a mãe lembra-se de deixar o número de telefone de onde vai estar

3º bebé – A mãe dá ordens para só lhe telefonarem se virem sangue

Em casa

1º bebé – A mãe passa grande parte do dia só a olhar para o bebé (check! do dia e da noite)

2º bebé – A mãe passa algum tempo a olhar para as crianças só para ter certeza que o mais velho não está a bater no bebé

3º bebé – A mãe passa bastante tempo a esconder-se das crianças»

Quando acordei da minha divagação, o João tinha acabado de comer o meu Chaplin. As facas da Maison des Crepes são bastante boas! Rapam pratos que é um mimo!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

A vida é um jogo


Perdi horas e horas da minha vida em jogos. Primeiro, o quem é quem e o risco. Depois, e porque há que evoluir do tabuleiro para o mundo da microcomputação, veio o space invaders do Spectrum. Ho-ras! Logo de seguida, o prehistorik2 levou-me muitas noites de sono. Já para não falar da serpente do Nokia 3210, à espera que os filmes começassem no cinema. Claro que o bubbles é transversal! Sou gaja! Assumida!!

Ontem fui inscrever o João na escola. Pela quantidade de carros que entupiam a passagem a partir das 18h, estou a ver que vou voltar ao tetris...





quarta-feira, 9 de março de 2011

Mãe

Tenho andado a visitar escolinhas para o sr Pirata. Hoje fui ver mais uma. Estive cerca de 10 minutos no átrio, de onde ouvia a senhora que estava na recepção. Fez-me pena, coitada! Tem uma mãe tããããão chata! De 2 em 2 minutos telefonava-lhe e, cheia de paciência, lá lhe dizia

Boa tarde, mãe! Não, não o Gonçalinho ainda não acordou!

Olá, mãe! Ainda não chegaram da piscina. Tente novamente daqui a 10 minutos!

Então, mãe! Como está? Sim, já pode vir buscar a pequenota!

Porra! Que melga! Só não entendo é por que é a mãe daquela senhora tão simpática liga a perguntar pelos miúdos todos da escola!!




Na verdade, daqui a uns tempos, vai saber muito bem ouvir este mãe do outro lado do telefone.


Embora eu não me importe de lhe dar o meu nome verdadeiro...

domingo, 6 de março de 2011

Dias felizes

Há dias em que percebemos que as alegrias da vida se expandem enquanto entendermos que assim deve ser. Hoje foi um desses dias.
O meu passeio da manhã foi profícuo nesta matéria: em frente ao estádio, num parque infantil renovado, dois putos disputavam o último balouço e, engalfinhados à chapada, faziam as alegrias dos papás, que, alapados nos banquinhos, gritavam ao longe a melhor forma de espetarem ganchos um ao outro.
Logo à frente, vi numa loja um bibelô porreiro para enfeitar um naperon que tenho cá em casa e resolvi entrar. Esperei pacientemente na fila, tentando entreter uma criança de 2 anos e meio, enquanto uma família de chamemos-lhes nómadas largava 512 € (o valor do RSI depende do número de elementos do agregado, certo?) em bugigangas.
Virei logo ali na Vasco da Gama, cortando o caminho para casa.
O passeio foi longo, mas aguentei as dores nas pernas e ainda entrei numa corrida com um velhinho. Corrida que salvou o dia e que ganhei, pouco mais à frente, na montra de um quiosque, quando os olhos do simpático senhor lhe puxaram pelos braços, impedindo-o de continuar e, agarrados à bengala, se pespegaram às maminhas da capa da penthouse.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor de mãe é

deixar de comer a parte do meio das torradas. Sim, aquela que deixava para o fim.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Shhh...! Shhh...! It's, Oh, So Quiet... Shhh...! Shhh...!


O último post deixou-me a pensar. Eu, que sou uma gaja apaixonada pela complexa relação poligâmica entre fonemas e grafemas, tenho afinal a minha história alicerçada em silêncios.
Lembro-me, com mais consistência do que seria de esperar, do silêncio da rua dos meus pais à hora do almoço, sob o calor incandescente de Agosto. Lembro-me de reparar que o som dos talheres contra os pratos furava as janelas e batia colericamente contra a mudez daquela hora.
Lembro-me do silêncio das tardes, durante as sestas fastidiosas na Mata, apenas quebrado pela buzina da carrinha da peixeira. Ainda sinto a cabeça coberta (a fingir a noite) pelo cobertor áspero e castanho. E ainda consigo ver o tigre rabugento a tentar saltar do cobertor para o quarto do meio, onde me infligiam aquelas horas de sono gratificante.
Lembro-me do silêncio do anfiteatro da faculdade, durante as frequências, e de só ouvir canetas a fustigar o papel e o meu coração a sangrar. Duas vezes.
Lembro-me do silêncio do início das relações, primaveril, do que se impunha no seu fim e ainda do que ficava depois dele.
Lembro-me do silêncio que invadia a barraca, na praia do carvalhido, às 21 horas, quando as gaivotas iam para casa. E eu também.
Lembro-me de tantos silêncios que acho que é por isso que gosto de viver no meio da confusão. Para não me esquecer de que não consigo viver sem eles.

sábado, 29 de janeiro de 2011

flocos de vida

Os momentos inspiradores, aqueles em que me sinto tão vazia de mundo e tão cheia do que é só meu, são cada vez mais raros. Talvez por haver agora outras inspirações e por aspirar a ser uma pessoa o mais igual a todas as outras quanto possível, acabo por me quedar na mesmice aconchegante do dia-a-dia. Mas hoje voltei a ter um desses momentos. Passei pelas brasas por breves instantes, o que me levou àquele ponto intermédio entre a consciência e a consciência de mim mesma. Os tentáculos do sol invadiam a sala como que a colher os despojos opimos antes de partir para novas batalhas. Um bizarro silêncio aplacou a lufa-lufa do costume. E lembrei-me outra vez que a minha inspiração vem do ausente. E do provisório.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano novo, vida antiga


Quando era miúda, nos minutos antes da meia-noite, montávamo-nos na mota e arrancávamos cheios de pica, para entrarmos no ano novo a alta velocidade. O entusiasmo era muito, a sensação inesquecível. Os nossos desejos não levavam passas, nem o chinfrim dos tachos, não conseguíamos ouvir as badaladas. Só ouvíamos o nosso coração a bater e os gritos que nos fugiam da boca.



Mais logo não há mota, nem velocidade, nem a excitação de antes. Mas aposto que ainda vou sentir o vento na cara...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ãmor


Hoje ao jantar comi uma romã. E vi-me outra vez menina, sentada em frente da lareira, encantada com os estalidos do fogo e as cores quentes das labaredas a enrubescer-me a face. A minha avó, ainda nova, a contar-me lendas da raia beirã. A minha saia vermelha rodada e o gancho laranja em forma de lua cheia. Mil e uma sementes a dar-nos tempo para mais uma lenda. O cheirinho a lenha denunciando a chegada do meu avô.

Sinto a cara quente e a alma vazia...

Que saudades de ser menina...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O que é isto de ser professor?


É difícil definir. Mas o mais parecido que há é bebermos uma garrafa de litro e meio de coca-cola e arrotarmos pelo nariz.